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A Europa daqui a dez anos

por Luís Naves, em 23.03.15

Quando pensamos como será a Europa daqui a dez anos, surgem de imediato dois cenários possíveis e antagónicos. No primeiro, acentua-se a degradação do sistema político e as democracias entram em declínio. No segundo, a economia melhora e a Europa recorda sem saudades a década perdida da grande crise.

Daqui a dez anos, os europeus poderão estar a atravessar um período de estabilidade e prosperidade, com desemprego baixo e crescimento razoável, com a reforma do estado social concluída e a moeda única sólida. Nesse caso, os países cooperam de forma mais estreita, avançando com uma integração pouco contestada e que trará vantagens gerais. O sistema político terá resistido aos desafios populistas que surgiram durante a crise e a sociedade revelou-se mais resistente do que se pensava. Os partidos renovaram-se e não haverá ameaças existenciais no horizonte.

Embora pareça optimista, esta versão é apesar de tudo mais provável do que a sua inversa. Muitos observadores temem que o futuro nos reserve uma profunda crise política, com o triunfo de forças populistas anti-europeias e anti-capitalistas que conduzam à redução das liberdades na Europa. Estes autores (geralmente influenciados por correntes de pensamento americanas) são muito cépticos em relação às hipóteses de sobrevivência da União Europeia e prevêem os piores desenvolvimentos, incluindo guerras. Os cenários demasiado negativos têm um problema: colidem com a realidade recente. A crise atingiu todos os países e não houve nenhum caso de mudança irreversível, nem sequer na Grécia. Os extremistas estão mais fortes e a classe política renova-se, mas isso reflecte democracias vibrantes, não democracias em falência. O futuro talvez nos reserve algo entre a visão optimista e a pessimista, mas a ideia do colapso iminente da Europa continua a não ser convincente.

publicado às 12:01




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