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A desagrageção e os fracos

por Luís Naves, em 08.01.18

Há sinais crescentes do desvario entre os políticos. Deve ter um motivo forte e não pode ser apenas o extremo interesse dos meios de comunicação e redes sociais por tudo aquilo que se diz no universo tão peculiar dos dirigentes fracassados. É que não existe frase infeliz que não se conheça imediatamente. Talvez estes sinais de loucura provem a ascensão desproporcionada dos maus políticos, que impedem o aparecimento dos autênticos talentos que a sociedade contemporânea vai cilindrando em larga escala nos labirintos da mediocridade. É uma explicação razoável, que permite justificar a proliferação de tantas nulidades. Há também a hipótese de estarmos a assistir aos primeiros momentos da desagregação das democracias, dilaceradas entre ideias radicais e populismo. As classes médias que sustentaram os regimes liberais estão desiludidas porventura com a falta de liderança que encontram nos seus fracos governantes. E sabemos como fracos reis fazem fraca a forte gente. É por isso que tudo anda mais crispado e parece fragmentar-se, numa espécie de guerra civil de baixa intensidade que vai largando em pequenas doses toda a energia que a desilusão acumulou, a que se junta o medo da mudança repleta de ameaças. Talvez a melancolia contemporânea esteja também ligada ao envelhecimento precoce das sociedades, e não será toda a velhice uma mistura de esquecimento involuntário e memória nítida de um passado idealizado?

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publicado às 19:26




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