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A crítica ao nacionalismo

por Luís Naves, em 10.02.16

Os comentadores descobriram que há uma insurreição populista na Europa, mas uma coisa é anunciar sintomas da febre, outra é tentar perceber a que se deve o fenómeno. Recentemente, numa rádio, alguém comparava a actual crise dos refugiados com o que sucedeu na Alemanha nazi, mas este tipo de tolice, revisão dos horrores do passado, que ilude de forma hipócrita o esforço de tantos países, tornou-se banal no comentário português. É moda defender a tese de que a Europa regressa ao tempo dos seus piores fantasmas e que a resistência (por exemplo, à generosa entrada livre de todos os refugiados) é uma atitude xenófoba, que deve ser condenada, pois conduz à violência nacionalista.

Segundo alguns autores, a paz europeia só será possível dentro de um sistema ideológico que permita a igualdade absoluta, com abolição das classes sociais e das tradições, das diferenças genéticas, de sexo e de raça, com a imposição de uma narrativa utópica que faz tábua rasa dos valores antigos eventualmente mais poderosos, como cristianismo, pátria, capitalismo e liberdade científica ou artística, eliminando tudo aquilo que possa criar hierarquias.

Atribuir as violências europeias ao nacionalismo é uma simplificação pouco rigorosa. A Europa foi sempre um sítio violento, mas também soube aperfeiçoar os direitos humanos, a tolerância e a liberdade. A violência existiu muito antes das nações e o mesmo se pode dizer do vasto património da resistência à tirania. A integração europeia tal como está a ser feita não é necessariamente o único sistema possível para uma Europa pacífica, mas também se pode dizer que a UE não tem de obedecer a um modelo comunitário, burocrático e rígido, que não será mais do que uma entidade supranacional sem mecanismos democráticos. A Europa pode evoluir num sentido xenófobo e fechado, num sentido mais intolerante, pode dividir-se e recuar, os Estados podem desistir da integração (embora isso seja contrário aos seus interesses), mas a resistência dos eleitores às decisões das elites não pode ser encarada como uma imbecilidade ou capricho. Os europeus não foram apenas capazes de resistir às tiranias, mas desenvolveram, através de experiências e erros, sociedades altamente avançadas, de bem-estar e liberdade. São perfeitamente capazes de pensar pela sua própria cabeça.

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publicado às 11:54




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