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A crise da Imprensa

por Luís Naves, em 11.12.15

A crise dos jornais tem uma explicação habitual, a tese da tempestade perfeita, que juntou globalização, custos salariais elevados e perda de leitores e de receitas de publicidade. E, no entanto, isto não explica o fenómeno da morte dos jornais. Nos últimos vinte anos, as redacções deixaram sair os seus intelectuais e perderam metade dos jornalistas, tornaram-se locais onde se trabalha por rotina, com chefias burocráticas, inflexíveis, muito politizadas e dependentes. Perdeu-se a camaradagem e as diferenças salariais são escandalosas. Isto dá origem a produtos previsíveis, que pouco adiantam à vida das pessoas.

No seu longo declínio de vinte anos, os jornais perderam sobretudo a criatividade. Eles transformaram-se em simples retratos do tempo, em vez de interpretações. Encontramos páginas e páginas com pequena intriga, não há rasgo, acredita-se ainda que o estilo pedante e sentimental é o correcto para as reportagens.

Ao longo de uma geração, os jornais perderam progressivamente a crónica e a narrativa e dedicaram-se ainda mais à notícia e à opinião, dois tipos de texto que a globalização banalizou, com a agravante dos jornais tradicionais recusarem assumir as suas tendências políticas. Ao deixarem sair os jornalistas mais experientes e de melhor qualidade, os jornais perderam memória e perderam independência, condenaram-se à morte lenta, dando de bandeja a sociedade a meios gratuitos que têm sustentação económica oposta. No processo, os intelectuais desapareceram da paisagem e a própria palavra ganhou toque de ironia. É por isso que o país não tem debates nem circulação de ideias, por isso papagueamos banalidades em mau inglês e dependemos cada vez mais das interpretações que outras nações e culturas fazem do mundo.

publicado às 12:16


8 comentários

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De Vasco Matos a 11.12.2015 às 22:35

Esta é a realidade da imprensa que nos servem, incluíndo os audiovisuais. Com a agravante de colocarem títulos que alteram completamente o conteúdo do texto. Como alguém disse: QUEREM QUE ACEITEMOS QUE O GATO TEM 3 PATAS, QUANDO TEM QUATRO!

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