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A iminência do Brexit (2)

por Luís Naves, em 17.06.16

No caso do eleitorado britânico optar pelo Brexit, é provável que o Reino Unido tenha graves problemas: a Escócia poderá separar-se, os ingleses que vivem na UE ficam menos protegidos, a médio prazo as exportações vão sofrer, haverá turbulência financeira imediata e quebra no investimento. As dificuldades podem até ser maiores, mas ninguém sabe ao certo. A pouco e pouco, os ingleses perderão o acesso total ao mercado único europeu e terão de renegociar acordos comerciais com países terceiros. Pode não ser uma calamidade, mas não será um piquenique. O Brexit tem razões de emoção e de cálculo político, pois muitos eleitores estão a ser convencidos por argumentações pouco sólidas (queremos o nosso país de volta) e as ambições políticas de Boris Johnson foram um factor crucial da campanha. A crispação política mostra divisões sociais preocupantes.

E o que muda na Europa? Muda muita coisa. O eixo franco-alemão fica mais forte e os europeus terão de avançar com mais integração, acelerando a construção do mercado único, tentando resolver a questão migratória, reequilibrando os poderes nacionais e resolvendo de vez a crise das dívidas soberanas e os problemas da banca. A Alemanha será indiscutivelmente mais forte e até se pode admitir que a UE restante pode enfrentar de outra forma o desafio colocado pela Rússia, pois haverá menos entusiasmo pelas sanções a Moscovo. Algumas mudanças serão imediatas, outra exigem tempo, pois o Brexit, a confirmar-se, será um longo processo político, repleto de negociações delicadas.

publicado às 11:23




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