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A história do costume

por Luís Naves, em 19.08.13

A elite nacional tem uma tendência doentia para se excitar com coisas que não interessam ao menino jesus e, ao mesmo tempo, para fintar tudo o que seja vagamente desagradável ou exija reflexão.
O caso mais recente envolveu a jornalista Judite de Sousa, por causa de uma entrevista a um milionário frívolo. Li dezenas de comentários condenatórios e nenhum deles enunciava um pequeno detalhe: Judite de Sousa é uma das melhores jornalistas do País e uma das mais corajosas. Já a vi trabalhar e sei do que falo.


Há pessoas em Portugal a quem nenhum erro é perdoado. São as incómodas e destemidas, as sinceras e trabalhadoras. (Se forem mulheres, essa circunstância ainda será mais violenta). Por outro lado, há pessoas a quem tudo é perdoado: são as inócuas e as mais hipócritas.
Aos trabalhadores medíocres nunca é aplicada a mesma bitola que se aplica aos de qualidade. Isto não se verifica apenas no jornalismo, mas em todas as áreas onde o País se encontra atrasado. É assim nas escolas e nas fábricas, nas repartições públicas e na política. Qual é o ministro que sai? O que incomodou. Quem o substitui? O que não vai incomodar. Qual é o jornalista criticado? O que fez demasiadas perguntas.
Assim, o caso Judite de Sousa é apenas mais um episódio da história do costume. E ainda por cima vimos a jornalista a fazer uma espécie de mea culpa, do género que só os bons praticam e que nunca vimos nos outros, naqueles que dão lições de moral e fizeram pior, naqueles que por ignorância nunca acertam, naqueles que por má-fé manipulam e vão passando entre as gotas de chuva, embora toda a gente saiba que não passam de troca-tintas.

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publicado às 11:12




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