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O pesado lastro

por Luís Naves, em 13.07.13

Um navio demasiado carregado tem mais hipóteses de ir ao fundo durante uma tempestade. Assim é com a factura dos juros da dívida, um peso que nos leva para o fundo, tornando mais difícil equilibrar as contas públicas durante uma recessão já de si muito pronunciada.
Mas esta notícia, que está a passar de forma tão discreta, mostra bem o significado de ser um ‘bom aluno’ na crise das dívidas soberanas. A extensão das maturidades, que a oposição tanto desvalorizou quando estava a ser negociada, afinal representa uma poupança imediata da ordem de 2 mil milhões de euros anuais. Este dinheiro poderá ser usado no pós-troika para outros fins, por exemplo, redução de impostos, em vez de ser gasto em pagamentos de juros da dívida monstruosa que acumulámos (mais dinheiro do que gasta o maior ministério).
Esta notícia significa que, nos próximos dez anos, o País empurra com a barriga o pagamento de 23 mil milhões de euros, que poderá gastar na sua emergência económica, tornando mais fácil cumprir as metas do défice impostas pela troika.
Podia acrescentar-se que o mecanismo beneficia dois países cumpridores, Portugal e Irlanda, sendo surpreendente a redução em 17% da verba que estava em pagamento. É possível insistir no copo meio vazio, sublinhando que não existe perdão e que vamos mesmo pagar a dívida: mas uma coisa é pagá-la quando se anda a contar os tostões, outra é esperar por 2023, quando a situação for bem diferente.
Em resumo, este Governo está sob a ameaça de ser substituído no exacto instante em que começam a surgir notícias como esta, os primeiros indícios de recuperação lenta. Isto torna ainda mais incompreensível a crise política.

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publicado às 20:15




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