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por Luís Naves, em 29.11.18

Lev Tolstoi atribuía três qualidades à arte: originalidade, clareza e sinceridade. Embora os grandes artistas não sejam muito bons a explicar o que fazem, parece ser uma definição aceitável da boa literatura. A originalidade é talvez o aspecto mais difícil, pois qualquer escritor tem de respeitar a tradição, continuar a desvendar as veredas que os antecessores já exploraram, ao mesmo tempo que encontra a sua voz. A clareza parece evidente, mas esta qualidade é a menos respeitada. Finalmente, a sinceridade, onde falham muitos autores, sobretudo quando cedem aos gostos da sua época, ocultando o que verdadeiramente pensam do mundo que os rodeia. Isto ocorreu-me a propósito da leitura de História da Minha Vida, de Giacomo Casanova, livro que gosto de revisitar, onde cada página é uma delícia. Está lá tudo: é original, claro e sincero, mas convém explicar que a teoria de Tolstoi nunca foi demasiado popular: Nabokov, por exemplo, detestava duas destas supostas qualidades; para ele eram defeitos, gostava acima de tudo da complexidade e do artifício.

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publicado às 11:19




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