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O declínio da França

por Luís Naves, em 13.01.14

Fico sempre surpreendido ao ler na imprensa e na blogosfera mais influente textos muito violentos em relação à França contemporânea. Os autores pegam em pequenas anedotas e tiram conclusões tremendas sobre o declínio daquele país, que aliás tarda em declinar. As nossas elites sempre arranharam o francês (mal) e sempre viram na França o modelo a seguir, mas algures nos anos 80 houve uma mudança. As elites, agora, falam inglês, gostam de citar em inglês, colocam umas palavras em inglês nos seus textos e adoram tudo o que venha do mundo anglo-saxónico, para mostrarem como são cultas e modernas.
Tal como os franceses, os portugueses prezam o exagero e a hipérbole. Também achamos que somos os melhores em tudo, talvez fruto do nosso desconhecimento dos outros. Nos media influentes, onde se pronunciam pessoas que podem ser consideradas a nossa elite, tudo o que vem de França é ridicularizado. Um País estatizado e arrogante, dizem, medíocre e sem literatura, com um cinema que é uma seca. Os brasileiros afirmam, talvez com razão, que os portugueses não se enxergam.

O facto é que não existe no mundo outro país que, como a França, coloque a sua literatura no centro da ‘glória da nação’. A cultura deles não se limita à futebolândia. Claro que em França há muitas histórias de cromos, mas não são sempre os mesmos cromos, como acontece aqui. Nós vemos constantemente os mesmos artistas e escritores, as mesmas vedetas de televisão, ideias e obsessões sempre iguais, as parvoíces e os políticos do costume. A cultura francesa está em decadência e é chata? Talvez, mas quando ouvimos dizer mil vezes ao dia que tudo aquilo que vem da América é fantástico e tudo o que vem da França (e da Europa) é péssimo, dá para perceber que existe uma agenda política nesta embirração.

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publicado às 12:27


1 comentário

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De AEfetivamente a 13.01.2014 às 22:31

A mim espanta-me esse desconhecimento dos outros que refere também e a nossa arrogância cultural fruto dessa ignorância. E o foco no negativo. E embora "inglesada" por defeito de profissão, considero a França um pais riquíssimo culturalmente. E não só. :)

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