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Como destruir uma boa causa

por Luís Naves, em 19.12.13

Os sindicatos de professores fizeram um péssimo serviço aos seus associados. Uma causa justa, em que os professores tinham a razão, transformou-se numa triste palhaçada, com insultos aos colegas que não tinham alternativa a fazer a prova e arruaças organizadas por minorias histéricas.
As contradições do ministro Nuno Crato são evidentes. Concordo com este post de Shyznogud, em Jugular, e com este texto de Mr. Brown, em Os Comediantes. Os dois autores perguntam e dizem o essencial. Infelizmente, o irrealismo dos sindicalistas radicais começa a ser um problema para os próprios trabalhadores, envolvidos em protestos que nada esclarecem e dando munições ao adversário.


Se o acesso à profissão já teve exames nas escolas de origem, então a prova é inútil. Se, como todos apontaram, as perguntas eram fáceis, a prova é inútil. Se não serve para distinguir capacidades educativas, a prova é inútil. Tratando-se, pois, de uma teimosia do ministro e de excesso de zelo em torno de um conceito ideológico, a prova é inútil. Não estamos perante um caso de humilhação, mas de inutilidade.
Além disso, o ministro da educação usou demagogia barata para convencer a opinião pública. Na entrevista à RTP, Crato perguntou ao entrevistador se não faria uma prova de acesso à empresa onde trabalha, caso lhe fosse solicitado. Ora, não existem provas de acesso à profissão de jornalista, mas estágios, e isso é válido para empresas públicas e privadas. Não existem provas de acesso a muitas profissões, há geralmente concursos a posições pré-definidas, o que não é o caso.

Continuando a manipular, o ministro citou reformas de antecessores, mas “esqueceu-se” da socialista Maria de Lurdes Rodrigues, cujas reformas foram bem mais importantes do que os actuais exercícios de obstinação.

Melhorar a escola devia ser uma boa causa, mas ontem, entre vidros partidos e ministros lamentáveis, todos perderam.

 

Por falar em Mr. Brown, convém ler este texto.

publicado às 12:01




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