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O tempo foge

por Luís Naves, em 04.12.13

A oposição interna do PSD tem pouco tempo para remover a liderança do partido. Apesar de haver um mito segundo o qual as críticas internas sempre foram a norma, o facto é que há dirigentes social-democratas que disseram de Passos Coelho ou de Miguel Relvas coisas tremendas, inéditas nos debates internos do partido. Estes dirigentes são as lebres de outros que esperam chegar ao poder. Dentro em breve, eles terão de explicar as razões para tanta dureza.
A oposição de esquerda tem pouco tempo para derrubar o governo de centro-direita. O PS hesita entre duas estratégias opostas: convém ser mais agressivo ou fazer de morto? Dentro de alguns meses, será visível que a abordagem moderada de António José Seguro era a que dava mais garantias ao PS de chegar ao poder, enquanto a pressão radical não passava de uma ilusão.
O governo irritou muitos segmentos da sociedade, que não lhe vão perdoar. Os funcionários públicos, em particular os professores, penalizarão o centro-direita. Os comentadores de televisão jamais darão o braço a torcer. Nenhum deles desmentirá os muitos disparates ditos durante três anos.
No entanto, o tempo escasseia. Portugal está a sair de um estado de semi-falência e de perda de soberania. O programa de ajustamento termina em Junho e a economia começa a dar sinais consistentes de viragem. A recessão acabou, o desemprego é menor do que se esperava, existe até ligeira criação de novo emprego. O consumo recupera, pois muitas pessoas suspiram de alívio, finalmente certas de que vão manter os seus postos de trabalho. As reformas concluídas começam a dar frutos. Além disso, a Europa está a sair da crise e a Espanha também está a dar a volta. Todos os dias há uma pequena boa notícia e, dentro de algum tempo, as pessoas vão começar a perguntar-se se estes governantes são assim tão maus como os pintam.

publicado às 11:15




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