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A jogada seguinte

por Luís Naves, em 02.12.13

Pelas não-notícias que vão sendo publicadas, o governo reformista perdeu o gás. O processo de reformas parou no final de 2012 e nunca foi retomado. Nos últimos meses, o esforço dos governantes e da oposição foi exclusivamente para tentar travar a mudança que a troika nos impõe. Qualquer pequena mudança é recebida com um afinado coro de protestos e imediatamente abandonada. À medida que se aproxima o fim do programa de resgate, mais as reformas são para não se fazer.
Todos se preparam para o período pós-troika: alguns partidos vão substituir líderes, outros vão aumentar a pressão, mas a realidade é cada vez mais ignorada pelos principais actores. Dou apenas um exemplo, mas há muitos outros: o défice estrutural de 3,7% do PIB terá de baixar para 0,5%, conforme manda o Tratado Orçamental; ou seja, falta cortar 5 mil milhões de euros na despesa pública, mas de forma permanente. Factos como este são desvalorizados ou baralhados pelos que pretendem derrubar um governo que consideram ter já passado o prazo de validade. O próprio governo não se esforça por explicar e os intelectuais começam a criticar a Europa, como se o problema não fosse nosso.
Depois, talvez em Junho, teremos eleições. O programa cautelar será o conveniente culpado das novas medidas impopulares do governo seguinte. Os governantes anteriores serão tratados como perigosos embaraços pelos seus próprios partidos. Nada de novo. As reformas feitas, estarão feitas; as outras, paciência, ficam para a próxima. O essencial ficará na mesma, como convém à elite nacional, tão resistente a mudanças que perturbem o seu domínio.

 

Este País sempre tratou mal os reformistas e sempre venerou o conservadorismo autêntico. Este é o tema de Os Maias, mas está espalhado em múltiplos episódios históricos. Por vezes, há interlúdios de domínio estrangeiro, como acontece agora. Portugal também revela ocasional fascínio por quem grita mais alto, mas aqui as revoluções são enquadradas por lideranças esclarecidas e, no fim, prevalece a ordem social do costume.

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publicado às 18:46




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