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O País distante

por Luís Naves, em 26.11.13

Entre aqueles que se pronunciam na praça pública, triunfa a narrativa do pensamento único. As pessoas das elites com acesso aos meios de comunicação deixaram de pensar nas consequências daquilo que dizem. Para eles, não existe o contexto europeu a limitar decisões. Os oligarcas da comunicação são os privilegiados, eternizam-se no poder, só conseguem ver os seus interesses estreitos e defendem o seu território, criando uma história conveniente, que consiste basicamente no seguinte: tudo o que o País tem de fazer para sobreviver à situação em que se encontra é perverso e dispensável.

Os donos do oráculo repetem indefinidamente a sua mensagem de impotência e de vazio. A negação da realidade resultaria num mundo que ninguém consegue imaginar ao certo, mas isso não lhes importa. Desta transição política, aliás, sairá talvez um novo poder criado a partir de ilusões. Motivará o mesmo descontentamento. Pode ser em Junho ou no ano seguinte, mas será também frágil e manipulado.

O pensamento único é populista e perigoso. O triunfo do mínimo denominador comum impede a sociedade de encontrar saídas para os seus problemas, omite factos relevantes e conduz qualquer discussão num só sentido, a remoer pequenos ajustes de contas. Os políticos que nos conduziram ao desastre são agora os heróis, pois dizem o que se espera deles. Os donos da razão repetem de cátedra o que sempre disseram.

As reformas que forem feitas neste período de transição serão provavelmente insuficientes. O País mediático ficará mais ou menos na mesma, reverente e conformista, obediente e humilde, sempre disposto a seguir na direcção de uma boa miragem. Os devaneios que nos fizeram um País periférico da Europa são os mesmos que nos vão afastar dessa Europa, que também está em plena transformação, mas sem lugar para tontos teimosos.

publicado às 12:27




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