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Encontro

por Luís Naves, em 09.10.13

Aconteceu isto numa manhã vazia
O estranho subiu a rua inclinada
e agarrou o meu pulso com a mão macia
Faltavam-lhe dentes, tinha a cara suada.

 

Não se lembra de mim, no banco, outro dia?
Encolhi os ombros. De nada me recordava.
Nem fazia qualquer sentido o que dizia
Bizarra história, a que ele contava.

 

Aquela figura ignorada, desconhecida
conhecia-me, a mim, que afasto a gente
Que faço da reclusão a autêntica vida
e me desligo sempre do mundo doente.

 

Confesso aqui que quase tive uma esperança
De que o homem me conhecesse de verdade
E a minha parte fosse falha de lembrança
Imprecisão da minha responsabilidade.

 

Deixei que continuasse a lengalenga dele:
o desconhecido sabia o que queria
Mostrou-me um enorme saco de pele
Onde estavam umas coisitas que vendia.

 

Recusei, demasiado irritado, talvez.
E lá voltou ele ao fundo da rua inclinada
E segui o caminho para cima e para o nada
De novo anónimo e sozinho outra vez.

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publicado às 19:41




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