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O veleiro

por Luís Naves, em 24.09.13

Estamos em plena tempestade. O veleiro começou a ser rebocado por outros navios mais estáveis, que ameaçam cortar as cordas e deixar-nos à nossa sorte se não pagarmos um resgate. Preferível pagar, quando a alternativa é ir ao fundo. Somos simples passageiros, mandaram-nos para o sufoco do convés inferior e não sabemos ao certo quem anda lá por cima a governar o barco ou quem toma as verdadeiras decisões sobre o nosso rumo. Por vezes, ouvimos umas gritarias preocupantes, mas não sabemos ao certo se são vozes de comando ou de pânico. Depois, paira o silêncio e quase parece que a tripulação saltou borda fora. Isso é o mais assustador.

O vento não abranda e as ondas fustigam a embarcação, que ora oscila com estrondo, ora se equilibra de forma esperançosa. Cá em baixo, há muito medo, alguns rezam, outros exigem a distribuição imediata de bóias que permitam saltar para a água. Já ninguém se entende. A esperança está por um fio, mas se flutuarmos não há naufrágio. Entretanto, o tempo passa devagar, continuamos no porão e talvez se tenham esquecido de nós.

Espreito por uma nesga: lá fora, o sol brilha entre as nuvens e o mar está numa fúria.

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publicado às 13:17




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