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Poeira

por Luís Naves, em 08.09.13

Aqui cheguei, não sou mais do que isto
tanto tempo efémero, aqui estou.

Escrevi romances medíocres
contei o que vi no presente
fiquei no imenso arquivo da poeira

 

Olho, inquieto, para o telefone calado
e a noite desliza em meu redor.

Há rumores lá fora
na insónia impaciente
e na engrenagem nervosa do esquecimento.

 

Vou ainda vivendo, numa dor que não passa
na mágoa dos pequenos túneis
que incansáveis insectos negros
vão escavando nas tábuas do quarto
e nas paredes da minha cela.

 

Daqui posso contemplar o nada
e se não fosse pelo infinito
essa obscura distância além do jamais
estaria porventura a pensar no fim
que, vendo bem, nem sequer existe.

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publicado às 16:27


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