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Uma imensa classe média

por Luís Naves, em 30.07.16

No tempo de uma geração, não se compara o acesso que hoje temos a conforto, cultura ou informação. Há 30 ou 40 anos, uma pessoa das elites teria dificuldade em manter uma conversa inteligente com alguém do povo: não porque o povo fosse estúpido, mas por haver entre as duas pessoas um fosso de linguagem e de interesses. A educação em massa e o progresso material mudaram tudo e é possível essa conversa, pois o povo já não existe, é uma imensa classe média, capaz de ler clássicos e de ouvir ópera, capaz de conhecer com profundidade assuntos técnicos complexos. O fosso entre cultura de elites e cultura popular estreitou-se. No caso da literatura, por exemplo, não faz sentido desprezar a linguagem dessa classe média ou as suas preocupações, sobretudo o sentimento de insegurança e o medo de perder a protecção de um tecto ou de um emprego, como se persistisse na memória colectiva o passado em que a população não tinha esses direitos. Talvez isto explique a recusa da prosa obscura por alguns autores e a recuperação da ingenuidade dos géneros populares, como o policial.

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publicado às 16:55



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