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Uma hipótese de trabalho

por Luís Naves, em 31.10.15

Da primeira vez que tentei fazer isto, fracassei, pois cada texto transformava-se num conto de certa dimensão e a blogosfera não suporta o excesso de palavras. A razão mais importante talvez fosse outra: um universo de ficção necessita de estar contido e precisa de um mapa exacto das veredas que percorre. Isto é incompatível com o estilo improvisado da escrita em oficina, que está para a literatura como o jazz está para a música; para mais, o narrador inicial era impreciso e entrou em contradições difíceis de reparar. Às tantas, sem uma carta correcta, comecei a perder-me e a sair da narrativa.

Desta vez, tento dar a volta aos defeitos. Não sei se consigo, pois o tema exige paciência; será preciso entrar devagar nas personagens, com a dificuldade adicional destas não poderem ser excessivamente explicativas, pois o narrador nunca conta aquilo que é familiar aos seus leitores, dá como adquirido que eles sabem muito do que ele também sabe. Os blogues têm outros defeitos: por exemplo, detestam a irrealidade; e como explicar aos leitores que estamos em 2100, quando cada texto nos dá a data da sua publicação? Talvez funcione, talvez seja incompreensível. Logo veremos. Este meio tem a vantagem de ser fácil apagar os fracassos.

Isto não é um sci-fi, mas aproveita alguns dos seus métodos. Não é um romance tradicional, por ser caótico e poder ser lido às postas, seguindo as etiquetas. Está ainda tosco, faz-se lentamente. É sobretudo um falso diário onde tudo parecerá autêntico, embora seja imaginação. No fundo, trata do meu tema: a realidade é tudo o que somos e o que recordamos, mas também o que sonhamos.

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publicado às 18:46



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