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Uma crise sistémica é isto...

por Luís Naves, em 29.04.17

A aparente falência do sistema após a crise de 2008 está a deixar marcas na política e criou no eleitorado um sentimento de profunda desilusão, até de cinismo, em relação à qualidade das suas elites. O fenómeno é visível em vários países e não tardará a chegar a Portugal. O facto é que, nos últimos vinte anos, os poderosos mentiram de várias maneiras: os banqueiros assaltaram os bancos, os partidos dedicaram-se à intriga, o bom empresário era aquele que despedia, os intelectuais escreveram sempre as mesmas coisas inócuas e prudentes, as leis não foram iguais para todos e a opinião do povo foi ignorada ou desprezada, conforme fosse conveniente para os rituais democráticos das consultas regulares. A vaga de populismo que resulta deste vapor acumulado começa agora a alarmar as oligarquias. É em cada dia mais óbvio que estamos a viver uma mudança sem paralelo, pelo menos no tempo de uma geração: vemos o apagamento dos partidos tradicionais, a contestação radical do modelo económico triunfante nos anos 80 e do multiculturalismo que há 40 anos domina todo o pensamento, a ponto de se ter tornado uma ideologia fraca, mesmo assim quase indiscutível, que criou a sua própria linguagem repleta de reticências e de eufemismo.

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publicado às 13:54



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