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Um filme francamente mau

por Luís Naves, em 01.03.15

Hora e meia perdida a ver um filme sem pés nem cabeça, mas que recebeu boas críticas. Snowpiercer tem erros crassos de credibilidade, personagens que não resistem a trinta segundos de diálogo, uma violência lunática, pressupostos ridículos e ideias primárias. Dentro de um comboio habitado pelos restos da humanidade, estabeleceu-se uma sociedade de classes, embora não se perceba qual é a função de tal estrutura ou quem mantém a linha férrea em boas condições. A história, por vezes, roça o infantil e até o puro vazio, mas houve quem encontrasse neste filme indigente uma boa metáfora de um mundo onde se extremam as diferenças entre ricos e pobres. Pura ilusão: nesta ficção pós-apocalíptica, a única instituição visível é repressiva e, sobretudo, nunca se percebe para que servem as carruagens traseiras, como também nunca se entende qual é a fonte de combustível do comboio. No final, há um diálogo a imitar o filosófico onde a personagem do inventor explica que os conflitos são manipulados e têm a função de repor o equilíbrio do frágil eco-sistema. A ideia não passa de um insulto à inteligência e, para os autores, a pobreza é questão de destino, não uma falha institucional. Sempre a fugir das verdades incómodas, o filme ridiculariza o conceito do 1%, apropriando-se dele e tornando-o inócuo, aproveitando para criticar a tese das alterações climáticas, pois a calamidade planetária deve-se a uma tentativa de reverter o chamado aquecimento global. No final, morrem todos, e é a única coisa boa que acontece. O exemplo mostra que a crise de imaginação no cinema está a atingir proporções apocalípticas. Ver pessoas a serem assassinadas com requintes de malvadez é, neste momento, a única ideia que ocorre aos milionários que produzem e executam os filmes de estúdio. Esta é a cegueira dos que viajam na parte da frente do comboio, sem imaginarem o que andam por lá a fazer, mas cheios de medo da rebelião de um público que perdeu a pachorra para sermões destes.

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publicado às 13:45


1 comentário

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De M.J. a 02.03.2015 às 20:19

Vi o filme há uns meses. Odiei tudo. Falaram-me da cotação, da originalidade, de como era fabuloso, de como tinha uma critica estondrosa. Achei simplesmente idiota.

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