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Taxinomia

por Luís Naves, em 28.02.15

As pessoas parecem diferentes em maior grau do que um milésimo. Para quem nos observe à distância, existe toda uma possibilidade de taxinomia, permitindo catalogar as variações em grandes famílias, tal como fazemos com as flores, divididas conforme as distintas pétalas, caules e folhas. Também nos rostos e nas expressões e nos sorrisos e vozes há profusas variedades. Quando observados à lupa, os humanos mostram ambições, modéstias, independências, receios embrulhados em medo e alegrias dentro da tristeza, esperança, resignação e lamento, curiosas forças em momentos trágicos e fraquezas frequentes em momentos menos exigentes. Dedicamos a vida a classificar listas que outros vão aperfeiçoar e a construir colecções de objectos que outros vão dividir ou melhorar. Cada um faz o seu caminho sem saber ao certo para onde vai, mas não é assim também com as outras espécies vivas e até com as formas inanimadas? Não foi sempre assim? Então, somos poeira e cinza dispersa pelo vento, seremos memórias perdidas para sempre, deitadas à terra como se fossem detritos. Há um frio que nos arrepia, ao descobrirmos a fragilidade do mundo e a brevidade do nosso tempo. Sendo a existência essencialmente igual, desenvolvida num ciclo implacável, parece-nos diferente em mais do que um milésimo, mas talvez seja apenas ilusão, rumor de nada, a face menos agreste daquilo que nos anima.

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publicado às 20:06



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