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O poder da mudança

por Luís Naves, em 15.04.17

Uma pessoa da minha idade que em 1950 pensasse um pouco sobre os anos vividos saberia identificar os dez grandes acontecimentos que tinham mudado a civilização e o mundo. O início da guerra, em 1914, era um exemplo óbvio, mas havia outros: a revolução russa, o Tratado de Versalhes, o crash da bolsa em 29, a ascensão de Hitler em 33, o início da II Guerra Mundial na Europa (embora essa fatalidade já estivesse decidida um ano antes, com a ocupação da Áustria). Para completar uma lista justa era necessário incluir Pearl Harbour, a conferência de Ialta, a bomba atómica de Hiroxima e o Holocausto. Enfim, a lista de dez grandes acontecimentos podia ser um pouco alterada, para incluir a gripe espanhola, por exemplo, ou o terror estalinista, mas os acontecimentos citados eram mais ou menos evidentes. Ao analisar os anos vividos, elaborar a mesma pequena lista de dez mudanças parece ser um exercício mais difícil para uma pessoa da minha idade. Não posso incluir o triunfo comunista na China nem o primeiro voo orbital de Iuri Gagarine, mas já era vivo durante a crise dos mísseis de Cuba e no dia em que astronautas americanos chegaram à Lua. Maio de 68 é um mês importante, como é o primeiro choque petrolífero, que começou com o embargo do cartel de exportadores, em Outubro de 73. A revolução iraniana mudou muita coisa, sobretudo no mundo islâmico, que mergulhou numa cruel guerra civil entre xiitas e sunitas, radicalizando-se por sucessivas ondas de fanatismo; a sucessão de Mao Zedong, em 1975, não mudou apenas a China, o que já era imenso. Devemos talvez incluir a explosão de Chernobyl e, sem dúvida, a queda do Muro de Berlim. E não há grande controvérsia em colocar nesta lista os atentados de 11 de Setembro de 2001 e a longa crise financeira iniciada em 2008. Ficou imensa coisa de fora: a Guerra do Vietname, a cimeira entre Nixon e Mao, Watergate, Reagan, a perestroika, as guerras do Golfo, o euro, a crise migratória. Muitos dos meus contemporâneos fariam uma escolha diferente, mas o ponto é o seguinte: vivemos num tempo acelerado, em que é bastante fácil identificar, em cada cinco anos, um grande sismo político de dimensão mundial. A distância torna mais evidente cada escolha, ou seja, provavelmente já estamos a viver um evento de transformação global, mas cuja importância ainda não é clara. Ou não tardará um grande acontecimento, com efeitos imediatos de tal forma vastos, que não teremos qualquer dúvida: este tem de estar na lista.

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publicado às 19:41

Discussão francesa

por Luís Naves, em 18.08.16

A França discute o burkini, fatiota de praia que tapa inteiramente o corpo das mulheres. Alguns municípios proibiram esta moda muçulmana e impuseram multas, para grande escândalo dos que consideram tratar-se de ‘islamofobia’. O argumento de que as nossas avozinhas usavam roupa de praia semelhante é ligeiramente absurdo, pois a moda muda, na civilização ocidental o corpo feminino tornou-se uma banalidade, pelo que a imposição de um pudor extremo alheio à cultura dominante parece ser uma cedência ridícula das nossas liberdades. Alguma esquerda defende a ideia aparentemente liberal de cada um vestir o que lhe apetecer, mas a questão do burkini não é um fait divers, pelo contrário, é altamente política e não tem nada a ver com as liberdades, mas com a opressão da mulher. Esta moda está a ser imposta pelos salafistas, corrente extremista com uma interpretação da religião muçulmana que exclui todas as outras. A esquerda europeia tende a olhar para a minoria muçulmana nos seus países como um grupo discriminado e oprimido de trabalhadores, resultando num raciocínio perverso de que impor valores ocidentais apenas aumenta a alienação social destes emigrantes e filhos de emigrantes. O avanço das ideias salafistas, graças a dinheiro saudita que sustenta mesquitas radicalizadas, prejudica ainda mais estas populações pouco integradas, que já não apenas rejeitam mas combatem abertamente as ideias republicanas de Estado secular e liberdade individual. A tolerância da esquerda facilita a intolerância dos fundamentalistas, e as primeiras vítimas são as mulheres muçulmanas de França.

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publicado às 19:12

O justo vencedor

por Luís Naves, em 12.08.16

O nadador norte-americano Michael Phelps será o grande herói dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, após ter batido um recorde com mais de 2100 anos. Ao ganhar a sua 13ª medalha de ouro individual, Phelps ultrapassou o anterior recorde de vitórias, que pertencia a um grego chamado Leonidas de Rodes, que venceu 12 competições em quatro olimpíadas clássicas. Leonidas, evidentemente, não ganhou medalhas de ouro, mas ramos de oliveira. Para além deste momento histórico, os jogos do Rio estão a ser marcados pelas primeiras críticas públicas de atletas limpos aos batoteiros que usam drogas para melhorar as suas capacidades físicas. O movimento olímpico só poderá sobreviver se conseguir identificar e expulsar todos os ladrões de medalhas. É uma tarefa difícil, devido à politização do desporto, uma das causas do desaparecimento da tradição grega dos jogos antigos. Em 67 d. C, numa altura em que os jogos já estavam em decadência, o imperador Nero fez uma visita à Grécia e cumpriu o seu sonho de competir nos jogos olímpicos. Nero adorava corridas de carros de cavalos e tentou bater todos os recordes com uma viatura de dez cavalos, um Ferrari do seu tempo, muito instável e perigoso. O imperador romano saiu da linha de partida a uma velocidade louca e estampou-se logo na primeira curva, sendo projectado do carro. Ficou bastante maltratado (há teorias de que bateu com a cabeça e enlouqueceu neste episódio), mas apesar de não ter concluído a corrida, Nero foi mesmo assim declarado vencedor. Venceria dezenas de competições, incluindo a que não terminou.

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publicado às 12:45

A crise de Hollywood

por Luís Naves, em 22.02.15

Não vi nenhum dos filmes candidatos aos óscares deste ano e a cerimónia interessa-me pouco, mas observando a lista de vencedores de melhor filme é de temer que este ano se verifique a continuidade de colheitas medíocres que contrastam violentamente com as prodigiosas décadas do cinema clássico. O prémio de melhor filme foi muitas vezes controverso e há casos de injustiças que ainda hoje nos deixam perplexos, sobretudo no final da década de 70. O exemplo mais gritante foi em 1979, quando Apocalipse Now perdeu para uma coisa chamada Kramer versus Kramer, mas também nos deixa KO o exemplo de Taxi Driver perder para Rocky, em 1976. De resto, será difícil repetir anos como 1941, em que Citizen Kane perdeu para O Vale era Verde, mas a escolha era impossível.

É interessante verificar que ao longo da história deste prémio houve um ritmo regular, com um terço de vencedores de grande qualidade e um terço de erros de casting. Em cada década surgia uma grande injustiça e pelo menos ganhava uma obra-prima indiscutível. A Oeste Nada de Novo (1930), o já referido O Vale Era Verde (1941), Casablanca (1943), Lawrence da Arábia (1962), O Padrinho (1972) são os cinco grandes. Depois disto, há vários filmes muito bons na lista, mas já não se encontram as grandes obras. Em 2001, ocorreu uma injustiça difícil de compreender, com a derrota de O Senhor dos Anéis. Já neste século, a lista dos óscares é um perfeito deserto.

Hollywood atravessa uma crise profunda, isso é evidente. Qualquer um dos três últimos vencedores de melhor filme estrangeiro (Uma Separação, de Ashgar Farhadi; Amour, de Michael Hanecke; A Grande Beleza, de Paolo Sorrentino) mete num chinelo qualquer dos dez últimos vencedores de melhor filme. Tirando o sofrível Argo, precisamos de recuar a 2007 ou 2004 para encontrar um filme de certa qualidade. Na realidade, é preciso recuar a 1992 para um vencedor candidato a obra-prima, Imperdoável. Para mim, não conta a compensação tardia do terceiro Senhor dos Anéis, por isso são vinte anos sem um grande filme, sendo esta, de longe, a pior fase do cinema americano. A indústria, com a sua riqueza e aparato técnico, parece incapaz de imitar os anos gloriosos, como 1939 e 1940, quando O Grande Ditador perdeu para um dos filmes medianos de Hitchcock, Rebeca, e Tudo o Vento Levou bateu O Feiticeiro de Oz.

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publicado às 19:08

Red Planet Mars

por Luís Naves, em 10.01.15

Todos os artistas têm esperança de criar obras que fiquem na memória e resultem em ampla influência, mas a verdade é que o trabalho artístico tem um pacto diabólico com o esquecimento. Os defeitos são mais visíveis nos livros que o tempo rejeitou e, no cinema, as obras datadas contêm uma ingenuidade quase cruel. Na internet é possível ver filmes antigos, alguns de péssima qualidade, e estive entretido a ver uma relíquia dos anos 50, Red Planet Mars, de Harry Horner, com diálogos engraçados e cenas patéticas. Os argumentistas queriam fazer um filme de propaganda e juntaram uma salada que incluía espiões soviéticos, extra-terrestres bondosos, canais de Marte, mensagens religiosas e cientistas alucinados. A má qualidade no cinema e na literatura está provavelmente ligada à junção de várias linhas narrativas banais, cuja colagem anula cada um dos elementos de partida, tornando a história inverosímil e as personagens ridículas.

Em Red Planet Mars surge uma actriz sensual, Andrea King, que nunca triunfou em Hollywood e que, a partir deste filme, acabou por fazer a sua carreira na televisão. Porque razão esta mulher lindíssima não atingiu a fama? A questão lembrou-me o excelente filme dos irmãos Coen, Inside Llewyn Davis, de 2013, sobre um cantor que trabalha sem cessar, que nunca desiste e que possui a coragem de prosseguir contra ventos e marés, com todo o egoísmo necessário, mas que fracassa da forma mais completa. Neste filme espantoso vi um actor de quem se vai falar muito, Oscar Isaac, a interpretar a personagem principal, um homem que recusa o compromisso e um fracassado que todos os amigos culpam pelas próprias falhas.

Llewyn Davis é fiel à sua profissão e, no entanto, não consegue sobreviver da música, por lhe faltar aquele pedacinho de talento adicional, o que quer que isso seja, ou talvez um bocadinho de sorte, a faísca capaz de incendiar o combustível acumulado pelo trabalho sempre insuficiente. Talvez lhe falte ultrapassar a superação, atingir o momento inexplicável. É este o génio do filme: não tenta explicar o que verdadeiramente falta a Llewin Davis ou o que faltou a Andrea King.

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publicado às 18:19

Errol Flynn igual a si próprio

por Luís Naves, em 14.12.14

Carga da Brigada Ligeira, de 1936, deve ser um dos piores filmes de sempre, cheio de erros históricos, a misturar Guerra da Crimeia com Motins Indianos e a enganar-se nas datas, nas bandeiras e nos uniformes. Uma xaropada do pior, com Errol Flynn e a belíssima Olivia de Havilland em amores improváveis. Também se perde por ali a jovem promessa David Niven, um de vários ingleses no elenco. Apesar de ser realizado pelo grande Michael Curtiz, judeu húngaro especializado em cenas de acção e produções rápidas, neste filme tudo é forçado e pouco credível, sugerindo que o sistema dos estúdios podia fabricar produtos indigentes. O tema é um dos mais famosos erros da história militar, aqui atribuído a uma inexplicável desobediência romântica. Um capacete soa a plástico, a fortaleza parece de esferovite, alguns dos civis indianos são claramente índios americanos da Califórnia, outros andam por ali pintados. Além do seu sentimentalismo inaturável, Carga da Brigada Ligeira pode ser visto como filme pacifista, bem da época, pois a catástrofe que determina a destruição da brigada de cavalaria no dispendioso ataque em Balaclava não passa de uma vingança tonta e banal, a desafiar a lógica e a disciplina, e que tem as suas origens numa atrocidade antiga, durante uma rebelião colonial na Índia (imaginação delirante, pois os motins na Índia começaram um ano depois do final da Guerra da Crimeia). O cinema clássico americano tem outras obras deste nível, que hoje nos fazem rir pela ingenuidade e pelo realismo desfasado. Errol Flynn era igual a si próprio, um actor que fazia sempre de Errol Flynn, mas que conseguia ser bem menos interessante do que qualquer John Wayne a fazer de John Wayne.

(Este post devia ser sobre Imperdoável, essa obra-prima, o último western, mas a brigada ligeira foi mais rápida e meteu-se à frente).

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publicado às 19:37

A 'reportagem universal'

por Luís Naves, em 03.12.14

Excelente crónica de António Guerreiro, autor de invulgar cultura e lucidez. O cronista, que tem feito uma análise sistemática do populismo cultural e respectivo triunfo, comenta a questão da leitura de livros novos suscitada por Pacheco Pereira e que critiquei mais abaixo. Gosto do argumento central de ser antiga e recorrente a tese do declínio das ideias e do esgotamento do mundo, mas interessou-me ainda mais esta opinião final, que não resisto a citar por completo: escreve António Guerreiro que “o jornalismo passou a estar em todo o lado, com a sua linguagem servil, pré-fabricada, imediata. Neste sentido, a maior parte da produção literária é da ordem do jornalismo, limita-se a amplificar a ‘reportagem universal’”. Tenho pensado neste excerto e espero que o autor desenvolva, explicando o que é essa ‘reportagem universal‘ e como pode a ideia ser compatível com a invasão da literatura pelas fantasias mais delirantes, sobretudo de sexo e violência. Os livros actuais são muitas vezes produtos efémeros e pré-fabricados, com pensamento superficial e condescendente, mas isso é declínio ou continuidade? Afinal, sempre aconteceu assim, não há só obras-primas, mas também livros banais ou com menor impacto. Se olharmos para o passado, talvez a literatura tenha de facto tentado nos últimos duzentos anos construir uma ‘reportagem universal’. Sendo o texto jornalístico inteiramente verídico e o de ficção inteiramente falso, o segundo apenas precisa de tempo para deixar de ser mentira. E o primeiro, se sobreviver, tanto faz se é verdade ou não: os protagonistas dos factos estão mortos e entretanto tornaram-se idênticos a qualquer personagem inventada.

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publicado às 18:00

Publique-se a lenda

por Luís Naves, em 11.06.14

O consumidor de informação deve ter presente uma das melhores deixas do cinema, no final de O Homem que Matou Liberty Valance, de John Ford: segundo pensam os habitantes de uma pequena cidade do Oeste, um distinto senador interpretado por Jimmy Stewart matou anos antes, em duelo leal, um facínora chamado Liberty Valance. O filme começa quando este senador, já idoso, comparece no funeral de um homem praticamente anónimo cuja vida correu bastante mal. Este interesse desperta a curiosidade de um jornalista a quem a personagem de Jimmy Stewart decide contar a história autêntica, enquanto espera pelo comboio. No entanto, a história afasta-se de tal forma da narrativa conhecida, que o jornalista recusa publicar a verdade e esclarece:
“Isto é o Oeste, senador. Quando a lenda se transforma em facto, publique-se a lenda”.

Portugal está há três anos numa situação semelhante a esta. Os factos positivos são desvalorizados e os efeitos da pobreza crónica do País tendem a ser confundidos com a crise. Existe uma lenda conveniente que obriga à omissão das circunstâncias que nos levaram à falência e depois ao resgate. Essa lenda atribui todos os males a um governo incapaz, o actual, e não reconhece nenhum erro político anterior. O resultado desta incapacidade de contar a verdadeira história é a crispação invulgar da política e a vertigem de querer repetir os erros que nos condenam ao endividamento insustentável e à baixa competitividade.

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publicado às 13:30

Então, para que estamos a lutar?

por Luís Naves, em 25.08.13

Mr. Brown, em Os Comediantes, tem razão. A frase que atribuo a Winston Churchill no post anterior é provavelmente apócrifa. Li-a pela primeira vez num artigo de opinião em The Guardian, onde uma autora cujo nome não recordo criticava cortes na despesa da cultura no Reino Unido. Estava em causa a realização de um festival de literatura de grande reputação e a frase (que reforçava um argumento semelhante ao meu) era atribuída a Churchill em resposta a um general, não ao ministro das finanças, como surge noutras fontes.
É claro que isto não muda nada na discussão. No livro mais importante da civilização ocidental há inúmeras frases atribuídas a Jesus Cristo que nos encantam pela sua inteligência mas que não temos a certeza de terem sido proferidas. Para um não crente, pouco importa se Cristo as disse, a sabedoria das palavras vale por si e não é preciso ser cristão para as compreender.

Estamos num dos meus temas favoritos, a fronteira entre factos e ficção, e ocorre-me a frase do filme de John Ford O Homem que Matou Liberty Valance: “Quando a lenda se transforma em facto, publique-se a lenda”. (Espero desta vez ter citado correctamente; vi este filme num ciclo organizado pela cinemateca, com outras dezenas de grandes obras que fazem parte do meu imaginário e que agradeço à instituição).

 

O que é então essencial na discussão? A meu ver, “Então, para que estamos a lutar” é uma pergunta que devemos repetir sempre que defendemos cortes na despesa pública e a reforma do Estado, como é o meu caso.
Já escrevi, no post anterior: não quero viver num país com Alzheimer. Enquanto a população portuguesa se alimenta de futilidades que confunde com cultura, a nossa elite fala em inglês e extasia-se com a arte feita lá fora, desprezando o que não pareça suficientemente vanguardista e obscuro. No fundo, ainda não conseguimos sair de um provincianismo que nos paralisa e, em cada momento, vivemos um pouco mais desmemoriados e desistentes.

Portugal gasta pouco dinheiro no sector da cultura e nas comparações europeias faz fraca figura na música, no teatro, na ópera ou no cinema. Esta também é uma medida do nosso atraso. A competitividade não se vê só nas empresas e a projecção de uma nação não se faz apenas com propaganda turística. Não podemos competir com a Albânia nesta matéria.

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publicado às 17:55

O sonho e a barbárie

por Luís Naves, em 22.08.13

A direita liberal portuguesa tem uma relação difícil com a cultura. Na óptica de alguns autores, o mercado devia ser suficiente para financiar os artistas e, se a sociedade faz sacrifícios, então o património artístico também os deve fazer. A tese está subjacente neste texto de José Manuel Fernandes, em Blasfémias, onde o autor critica as notícias sobre a crise orçamental na Cinemateca. A ideia é a seguinte: a instituição depende das verbas da publicidade e estas estão a diminuir; outras empresas, sobretudo na comunicação social, também perderam publicidade e adaptaram-se, pelo que a Cinemateca pode fazer o mesmo; o autor lamenta que os jornalistas não tenham referido o paralelismo entre a sua própria situação e a da Cinemateca.

 

A direita portuguesa devia meditar numa história famosa de Winston Churchill. No início da II Guerra Mundial, quando Londres estava sob bombardeamento nazi, o governo britânico discutiu cortes na despesa para aumentar a produção de armas e um general sugeriu que se cortasse totalmente nos gastos da cultura. Houve um silêncio e todos se viraram para Churchill. Este mordeu o charuto, pensou um pouco e respondeu: “Então, para que é que estamos a lutar?”
Esta devia ser a pergunta que todos os que defendem contas públicas saudáveis deviam fazer. A liberdade contra a barbárie. Falo por mim: estou a lutar por um Portugal que preserve a sua alma e construa o melhor futuro. Não quero viver num País com Alzheimer e onde se puxa da pistola mal soa a palavra cultura.

 

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publicado às 12:21


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