Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Fado crónico

por Luís Naves, em 07.08.16

Portugal tem vivido em sucessivos ciclos de expansão da despesa até ao estoiro, geralmente liderados pelos socialistas, com uma segunda fase de contracção sem reformas, sob condução da direita. A sustentabilidade das contas públicas tem sido o problema dos últimos quinze anos e deverá manter-se mais uma década: foi acumulada uma dívida brutal e, sem crescimento, o país não poderá suportar indefinidamente o peso dessa dívida; o crescimento depende em parte de reformas difíceis que permitam equilibrar os orçamentos. Os economistas andam a dizer isto desde o século passado e os políticos sabem que o problema nacional tem a ver com o excesso de despesa, mas o facto é que Portugal só muda por imposição externa. É o que acontecerá de novo. A geringonça não será mais do que um breve período de expansão orçamental e de aumento de impostos que vai rebentar um pouco à frente. O contexto do euro tornou o problema crónico mais difícil de gerir e os partidos parecem incapazes de organizar uma resposta que torne o país viável. A fragilidade do sistema partidário gera a paralisia institucional. Falta de coragem política para mudar a situação. Os partidos vivem da criação de intrigas artificiais e as discussões paupérrimas são de natureza ideológica, evitando-se sempre abordar a questão central. Os meios de comunicação tornaram-se cúmplices desta impossibilidade de fazer reformas e têm horror à ideia de renovação da classe política, pois alimentam algumas das personagens que criaram o próprio sistema em que vivemos: as televisões estão repletas de comentadores que nunca foram além de carreiras políticas medíocres. Falam como se tivessem sido grandes estadistas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:14

Intervalo de Agosto

por Luís Naves, em 01.08.16

O país seguiu para férias e, como se toda a gente ouvisse um sinal sonoro, desapareceram de repente os problemas. Tirando os incêndios, que infelizmente fazem parte da paisagem de Verão, chega agora o tempo das histórias positivas: famosos a banhos, políticos descontraídos, dinheiro a rodos, abundantes trabalhos sazonais e festas de ricos. Subitamente, anda toda a gente feliz e a esquerda radical já não critica como antigamente. Os desempregados desapareceram e nenhum jovem se viu forçado a emigrar. As redes sociais descansam umas semanas e não sentiremos o seu veneno. No intervalo de Agosto percebe-se melhor como o debate político é uma repetição de mais do mesmo, com um toques de treta.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:10

Uma imensa classe média

por Luís Naves, em 30.07.16

No tempo de uma geração, não se compara o acesso que hoje temos a conforto, cultura ou informação. Há 30 ou 40 anos, uma pessoa das elites teria dificuldade em manter uma conversa inteligente com alguém do povo: não porque o povo fosse estúpido, mas por haver entre as duas pessoas um fosso de linguagem e de interesses. A educação em massa e o progresso material mudaram tudo e é possível essa conversa, pois o povo já não existe, é uma imensa classe média, capaz de ler clássicos e de ouvir ópera, capaz de conhecer com profundidade assuntos técnicos complexos. O fosso entre cultura de elites e cultura popular estreitou-se. No caso da literatura, por exemplo, não faz sentido desprezar a linguagem dessa classe média ou as suas preocupações, sobretudo o sentimento de insegurança e o medo de perder a protecção de um tecto ou de um emprego, como se persistisse na memória colectiva o passado em que a população não tinha esses direitos. Talvez isto explique a recusa da prosa obscura por alguns autores e a recuperação da ingenuidade dos géneros populares, como o policial.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:55

Lirismo e bravata

por Luís Naves, em 28.07.16

Em Portugal, a discussão sobre o futuro da zona euro tem privilegiado a visão simplista das sanções injustas, dos tratados que não são para cumprir, das reformas que não são para fazer, da despesa pública que não convém reduzir. Enfim, estamos numa zona de sonho e lirismo lusitano, em que nos pagam as contas se falarmos com dureza, em que nos tornamos mais competitivos por sermos bons, onde basta estar optimista para que tudo corra bem. As fantasias são geralmente dispendiosas. Livres da tutela de regras incompatíveis com a visão socialista da sociedade, seria mais fácil criar essa realidade paralela.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:48

Amálgama contemporânea

por Luís Naves, em 26.07.16

A sociedade mistura-se e fragmenta-se, mas existe este fenómeno mais poderoso da aproximação entre topo e média. Muitas observações contradizem a ideia, mas parecem distorções da norma (somos todos iguais perante a lei, os impostos servem para redistribuir rendimentos, a classe média comanda a política). E talvez este conflito explique a tendência para a era populista: se a diferença entre as elites e o povo deixou de ser assim tão intransponível, mesmo na linguagem e na cultura, então é evidente que os eleitores mais numerosos têm vantagem na contestação a instituições que deixaram de reflectir os consensos habituais da política. Enfim, morre devagar o sistema em que as elites controlavam comodamente todas as alavancas do poder e triunfa a vaga  populista: a simplificação em voz popular, a denúncia dos meios de comunicação que vivem na sua bolha, a rejeição dos banqueiros gananciosos e dos políticos fracos, incompetentes e corruptos, a percepção de que tudo se decide atrás da cortina e de que o maior perigo vem dos manipuladores da realidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:58

Terrorismo

por Luís Naves, em 23.07.16

Não é possível iludir o padrão emergente de jovens alucinados que matam gente comum em sítios banais e com extrema crueldade. O fenómeno tem mais a ver com realidades paralelas e paranóia desenfreada, incluindo no caso dos loucos que matam em nome da religião. A sensação de fragilidade e perigo é agora uma banalidade nas nossas sociedades e também começa a ser preocupante ouvir, nos meios de comunicação nacionais, tantos peritos a desenvolverem teorias de justificação das atrocidades e da relativização do terrorismo. Ontem, na televisão portuguesa, só se falava dos perigos da extrema-direita; e, no entanto, nas últimas semanas, houve atentados islâmicos com dezenas de mortos ou feridos na Florida, na Bélgica, no Bangladeche, no Iraque, na Turquia e em França. Centenas de vítimas da loucura e da desumanização.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:18

Crónica demasiado pessoal de um velho Tempo

por Luís Naves, em 06.07.16

A morte de um jornal não tem a gravidade de uma morte humana, mas é à sua maneira um grande abalo na vida das pessoas e na memória das sociedades. Lembro-me daquelas semanas sombrias, quando O Tempo fechou. Talvez fosse inevitável, mas nunca soube a verdadeira razão do declínio a que assisti. É daquelas coisas que não se esquecem: só se falava do outro jornal que também fechara portas por esses dias, o Diário de Lisboa, e o encerramento de O Tempo era um notícia envergonhada e minúscula, como se tivesse falecido aquele familiar embaraçoso cujo nome não devia ser mencionado. Era ainda um jovem irreflectido, mas julgo que recebi a minha primeira grande lição sobre os dois pesos e duas medidas que regem a política.

Quando entrei em O Tempo, dois anos antes, em 1987, já na rampa inclinada, a redacção era um lugar estranho, juntando jornalistas com ideias diversas, de várias gerações e diferentes pancadas. Não havia facções definidas, nem rivalidades, nem me recordo que houvesse as maldades que depois encontrei em outros ambientes, pelo contrário, existia uma espécie de alegria ingénua e contagiosa. O director e proprietário, Nuno Rocha, era um homem elegante e alto, de sorriso fácil, charmoso e simpático, que tratava toda a gente da mesma maneira. Acho que gostou de uns textos que escrevi à experiência (obrigado, Fernando Sousa, pela oportunidade) e decidiu contratar-me. Entrei na mesma semana em que começou a sua brilhante carreira de jornalista o Pedro Camacho, mas ao contrário desse meu outro amigo, julgo que fui um erro de avaliação de Nuno Rocha, que viu em mim um talento inexistente.

 

A minha vida teria sido diferente

Se não tivesse entrado naquela altura na redacção de O Tempo, tudo para mim teria sido diferente. Em reportagem para o jornal conheci o amor da minha vida, pode parecer pedante ou piroso, mas é a pura verdade: sou um caso raro desse género de acontecimento e tratou-se de circunstância pouco profissional, pois o jornalista não se deve envolver demasiado no assunto que observa, embora não acredite no distanciamento ou no jornalismo que se demite de também sentir o mundo. Como já disse, fui um erro de casting.

Os outros jornalistas daquela redacção anacrónica ensinaram-me quase tudo o que aprendi na profissão que pratiquei durante 25 anos e certamente tentaram transmitir-me muito do que nunca cheguei a entender dela. Eram repórteres experientes e sabiam da minha falta de jeito, mas o Nuno Rocha talvez não se tenha dado conta: na praxe do caloiro (juro, isto é verdade) enviaram-me em reportagem à sede da NATO, em Bruxelas, e escrevi duas páginas de banalidades que encantaram o director. Nessa viagem, só havia craques enviados por outros jornais (lembro-me do Afonso Camões e do Miguel Gaspar); o Fragoso Mendes, do DN, perguntou-me há quanto tempo era jornalista e eu, parvo, disse a verdade, desde a semana passada, e o Fragoso, filosófico: ‘Está tudo doido’. Talvez a loucura possa ser explicada; como a redacção era pequena, escrevíamos sobre tudo e mais alguma coisa. Que melhor escola podia existir?

 

Vítima do Cavaquismo que defendera

Pedro Correia conta nesta belíssima crónica como era a redacção de O Tempo no início dos anos 80 e escreve um belo texto de memória sobre Nuno Rocha, que faleceu ontem, aos 83 anos. Também é muito justa esta evocação assinada por João Cândido da Silva: Reconheço imediatamente o retrato de um jornalista que marcou toda uma época. Mas eu tive menos sorte; assisti aos dois últimos anos, de declínio e morte de O Tempo. No colapso, havia razões financeiras que nunca entendi, talvez fosse parte de uma crise mais geral dos meios de comunicação, confrontados com a súbita perda de leitores ou de interesse em publicações centradas nos assuntos políticos e na discussão das grandes clivagens ideológicas. Os jornais eram caros de fazer e distribuir e precisavam de uma modernização da linguagem, da imagem e do estilo. Talvez fosse isso que faltou.

Não conheci intimamente Nuno Rocha (ele era meu director), mas testemunhei alguns momentos da sua humilhação pública. Lentamente, perdeu o controlo da empresa e via-se no olhar o desespero do fracasso ou de quem tombava de muito alto. Asseguro-vos, uma das coisas mais tristes é assistir à queda de um anjo. Ele, que tinha sido o grande jornalista, o homem poderoso, que dirigira um jornal de enorme êxito, confrontava-se então com a perspectiva da falência. Foi lamentável o episódio em que Nuno Rocha perdeu o controlo da sua criação e acabou escorraçado, como um velho incómodo. Mil perdões se falto à verdade, mas foi isto que vi, o poder de direita já não precisava de um jornal de direita que concordava com esse poder. Ironia, O Tempo foi vítima do Cavaquismo que defendera com unhas e dentes. E a ‘classe jornalística’ assistiu ao fim com um encolher de ombros: afinal, era uma publicação de direita.

 

Não se regressa da derrota

Nuno Rocha perdeu o controlo do jornal e teve de sair. Da agonia ao fecho foi um processo rápido. Provavelmente, não houve investidores para a modernização, também não havia entusiasmo para a concretizar. A redacção esvaziara-se e eu fui um daqueles que não saíram a tempo. Havia outros, todos personagens de romance. E não posso deixar de lembrar aqui a tragédia de Eduardo Guerra Carneiro (das prosas mais perfeitas que encontrei na vida) um dos que foram ficando no esquecimento que não mereceram. Enfim, na fase terminal, o raciocínio deixara de ser o do entusiasmo e da tolerância, o poder não precisava daquilo, era mais fácil fazer outros projectos de raiz, com menos jornalismo e mais do resto que temos agora em abundância.

Nas décadas seguintes, encontrei-me com Nuno Rocha algumas vezes. Ele perguntava-me pela minha mulher, era mesmo a primeira pergunta que me fazia, sempre com ternura. Sabia da minha história. Mantinha aquele ar distraído e a mesma elegância no trato. Julgo que tentou outros projectos porque não podia estar quieto, mas fracassaram um bocadinho ou nenhum deles triunfou, não sei. Eu fui à minha vida, o Nuno nunca conseguiu regressar da sua derrota, depois reformou-se, deixou de ser falado. E o que aprendi com ele? Ah, a resposta a essa pergunta é relativamente fácil: aprendi o valor da liberdade, o seu valor inestimável e precioso, pois foi isso que existiu sempre no jornal dele. Como é que se escreve sem usar esse elemento tão custoso de ganhar e tão penoso de manter? Não sei se é possível, só sei que escrever com liberdade vale bem uma derrota sem regresso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:46

Um pequeno exercício de imaginação

por Luís Naves, em 24.06.16

Imaginemos por um momento a Europa sem a UE. O mercado único entraria rapidamente em colapso, a livre circulação seria improvável e os países ricos recusariam pagar fundos estruturais aos pobres. A política agrícola comum seria extinta e muitos agricultores iriam imediatamente à falência. Para além da perturbação de todo o comércio, talvez não fosse possível assegurar a alimentação dos europeus. Haveria conflitos cada vez mais graves em torno de comida, direitos de pescas, energia, além de conflitos industriais, limitações à exportação de certos produtos, desemprego em massa. Progressivamente, estes conflitos alastravam a questões étnicas e surgiam movimentos de libertação, fragmentação de países, o regresso lento aos velhos mecanismos do equilíbrio de poder. Seria mais um suicídio europeu: fronteiras fechadas, todos mais pobres, os loucos a tomar conta do asilo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:17

A memória escorre aos soluços

por Luís Naves, em 25.05.16

Lembro-me de um mundo imóvel e em película, onde explodem cores deslumbrantes que devem pertencer às minhas recordações verdadeiras. As viaturas eram estranhas, as estradas estreitas e esburacadas, as roupas e os penteados tinham formas bizarras. Os prédios eram mais altos, pareciam gigantescos a uma memória infantil como a minha, mas pensando bem eram demasiado amplos para a pouca gente que os habitava. E havia enormes cidadelas grotescas à sua volta, bairros inteiros de casario improvisado a zinco e tábuas, com as ruas cheias de uma água barrenta, que não posso ter visto ou cheirado como exactamente me lembro delas. O céu desse tempo era igualmente azul, mas só o recordo por o saber igual ao de hoje; as plantas também estavam quietas e verdes; o mesmo sol realçava as cores da praia e do mar, que o calor encheu de neblina suave, que é o véu do passado. As pessoas, essas, eram diferentes, tinham outros pensamentos, eram de paixões contidas e poucas falas, inchadas do que não diziam. Lembro-me da chuva que batia na vidraça e isso era igual ao que sinto hoje em dia, a mesma sensação de tempo a escorrer em gotas descendentes, que se juntam a outras gotas, formando pequenos ribeiros verticais no vidro frio. Lembro-me das mansas carroças da aldeia, dos sufocantes campos de milho e do zumbido dos candeeiros a petróleo, do café da manhã, da lareira e dos lençóis de linho cheirando a detergente rústico, do bácoro que atormentei, de um curioso telefone antigo que tinha manivela, mas depois talvez não fosse bem assim, lembro-me do cheiro dos jornais, das sombras fantasmagóricas da televisão a preto e branco, dos programas de rádio que toda a gente ouvia, da cor espantosa de um filme da disney, dos meninos a fugir do polícia gordo, da figueira do meu avô, dos cromos e berlindes, do barulho da ventania nos pinheiros e que era parecido com o mar atrás da falésia, da escola muito velhinha a cair de podre, mesmo ao lado do aqueduto, e da ardósia que era do mesmo tamanho de um i-pad, lembro-me do frigorífico novo e da sopa de feijões, das conversas sussurradas sobre coisas de que não se podia falar, a rádio tirana de ondas curtas, por exemplo, lembro-me da biblioteca da vila que ficava no topo de uma alameda com grandes plátanos, o sino da igreja e a satisfação do padre à porta, o café onde não entravam mulheres sérias, lembro-me dos subúrbios sem alma da capital, do comboio atulhado, nas portas abertas cachos de viajantes pendurados, lembro-me da falta de água, das pessoas que se queixavam dos preços, dos camponeses e das vendas de melões que eram paragem obrigatória, das filas da gasolina, das coisas atrevidas que de repente eram permitidas, e não esquecerei a fotografia de certo filme de Fellini, lembro-me da febre da política, dos novos sussurros e mudanças de tema, dos cortes de electricidade e lembro-me também daqueles carros, agora antiquados, de que sabia o nome dos modelos, do aeroporto que tinha uma varanda para ver partir aviões, do cinema a que chamavam piolho, da escola com barracões cinzentos, dos olhos da professora que mudou de tema por ter medo dos alunos, lembro-me da mulher que se matou na linha do comboio, das notas de escudo e dos livrinhos baratos, de como as aldeias estavam a morrer e o mundo a mudar, lembro-me das estradas de macadame, das histórias dos astronautas que caminhavam na Lua redonda que estava ali em cima no céu nocturno, brilhante, lembro-me de tudo isso, um pouco confusamente talvez, amontoando-se em imagens, algumas delas incertas, outras nítidas, que o meu olhar e a minha memória retiraram do mundo apressado, como quem guardava partículas de poeira.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:18

O naufrágio

por Luís Naves, em 14.04.16

Conheço jornalistas desempregados que davam para fazer duas redacções de alta qualidade. Há comentadores na blogosfera que, de borla, escrevem textos sem as banalidades que infestam as páginas dos jornais pagos. Cresce o divórcio entre os órgãos de comunicação e o público. Não há estabilidade na vida dos jornalistas que restam na profissão. Eles temem pela perda dos seus empregos, trabalham horas a fio em burocracias mal geridas, mal pagos e sem incentivos, sem perspectivas de futuro, sempre ultrapassados por vedetas bem relacionadas.

Portugal é um país onde a hipocrisia compensa. De repente, deixámos de ouvir falar dos horrores do desemprego e da emigração forçada, as histórias recorrentes no jornalismo do ano passado. A profunda indignação das corporações disto e daquilo também desapareceu. Os jornais discutem minuciosamente temas fracturantes que interessam a meia dúzia de portugueses, desviam para canto as notícias embaraçosas, insistem nas opiniões inócuas dos comentadores que falharam todas as suas previsões nos últimos cinco anos e que continuam a debitar de cátedra.

A comunicação social é um negócio da credibilidade. O divórcio entre público e órgãos de comunicação tem causas económicas profundas: a perda de receitas de publicidade e de leitores para a internet. No entanto, sem a erosão dessa credibilidade, os órgãos de comunicação não estariam em situação tão calamitosa. Gastaram-se fortunas em modernizações tecnológicas, acumulou-se dívida, havia boas relações com o poder político, formaram-se grupos inafundáveis. Agora, estão quase todos falidos e perdem leitores, numa hemorragia sem fim. A comunicação social é um assunto tabu que nunca é debatido pela própria comunicação social. Em Portugal, fala-se de tudo, menos disto; e quando se fala, é com paninhos quentes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:54


Mais sobre mim



Links

Alguns blogues anteriores

Locais Familiares

Boas Leituras