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Sol na eira e chuva no nabal

por João Villalobos, em 22.04.14

“O índice da economia paralela subiu 4% em 2012, passando de 25,49% em 2011 para 26,74% em 2012, revelou esta quarta-feira Óscar Afonso, vice-presidente do Observatório de Economia e Gestão de Fraude (Obejef), da Faculdade de Economia do Porto”, noticiava o Público em Setembro do ano passado.

Face a esta percentagem, que o mesmo artigo dizia equivaler, em valor absoluto, a 44.283 milhões, “mais de metade do empréstimo da Troika”, é natural que o Governo implemente medidas de incentivo que levem à transparência e à exigência de facturas sobre os produtos e serviços, a par de outras que a priori desincentivem e a posteriori castiguem os prevaricadores.

Compreendo que, para alguém com o André Abrantes Amaral que é das pessoas mais certinhas que conheci, determinadas opções possam configurar-se como práticas de um qualquer Grande Irmão orwelliano que nada mais pretende do que controlar a vida do incauto cidadão. Tal como o vizinho do lado, também não vejo com agrado que, por ímpetos socialistas ou outros – e no caso deste Governo definitivamente outros – o Estado me escrutine a vida em cada um dos seus pequenos gestos e cruze dados e factos para uso futuro.

No entanto, é necessário que tenhamos em conta a realidade dos que mentem, dos que burlam e dos que prejudicam com essas mentiras e fugas ao fisco – evidentemente demasiado pesado para os contribuintes, mas essa é outra discussão – quem como o André cumpre diligentemente os seus deveres.

O que não pode fazer-se, ou pelo menos não se deve, é confundir alhos com bugalhos e criticar quem finalmente faz pela existência de um modelo fiscal eficaz e justo, em prol de um libertarismo do consumo. 44.283 milhões é muito dinheiro. E conseguir cobrar mesmo que uma terceira parte dessa quantia permitiria certamente aligeirar em várias circunstâncias a carga fiscal para quem efectivamente a suporta.

Em situações como esta, como em tantas outras, aplica-se um ditado popular: “Não se pode querer o sol na eira e a chuva no nabal”.

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publicado às 16:07



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