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Pureza e razão

por Luís Naves, em 13.06.17

De um lado, estão os que têm sempre razão; do outro, os que não têm razão em coisa alguma. A análise dos conflitos humanos é cada vez mais uma interpretação que divide o mundo entre bons e maus, entre puros e impuros, entre aqueles que estão a favor do desenvolvimento da humanidade e aqueles que defendem apenas o retrocesso. Os meios de comunicação aderiram com entusiasmo a esta visão simplista, talvez por imposição das redes sociais, e vemos estender-se a qualquer assunto, por banal que seja, a tese redutora que avalia toda a política a preto e branco, sem visualizar sombras ou subtilezas. Esta equação de soma zero esquece um facto evidente: se todas as coisas humanas fossem um simples combate entre luz e escuridão, teríamos apenas clarão e trevas, ou seja, duas situações sem forma. Em Portugal, as coisas complicam-se, pois nunca há polémicas, apenas gritaria. Se alguém argumenta com dureza, logo isso é interpretado como agressividade e ataque pessoal. Quando lemos as polémicas antigas, encontramos reacções indignadas a argumentos civilizados, a que se seguem berrarias indescritíveis sobre as qualidades físicas do oponente ou, em desespero, a má leitura de alguma coisa que ele escreveu em 1830, com as devidas alterações, para que pareça pertencer exclusivamente ao campo dos maus, dos impuros e dos reaccionários.

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publicado às 15:25



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