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Política portuguesa

por Luís Naves, em 16.08.16

Na democracia portuguesa nunca existiu um governo minoritário estável, pormenor esquecido em todas as análises políticas. Os comentadores tendem a subestimar a conjuntura económica: a calamidade social do desemprego desapareceu por inteiro dos radares jornalísticos; a pobreza e as desigualdades deixaram de ser temas de análise. O fraco crescimento impede a recuperação da banca e ameaça a receita de impostos, há pressões da Europa no sentido de Portugal fazer as reformas que garantam orçamentos equilibrados e o pagamento da dívida pública, mas ouvimos cada vez mais o argumento da esquerda de que é preciso sair do euro ou renegociar a dívida, única maneira de manter a despesa a crescer mais depressa do que a economia. A solução política temporária é instável pela sua natureza, mas será insustentável se o Governo for forçado a aceitar medidas de estabilização financeira e orçamental que a esquerda não parece disposta a tolerar: cortes na despesa, reformas estruturais, dinheiro dos contribuintes para salvar a banca. Enfim, toda a gente percebe o acumular de nuvens no horizonte, mas a política portuguesa tem esta maravilhosa capacidade de discutir apenas assuntos acessórios, de usar o eufemismo e a elipse.     

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publicado às 12:12



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