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Parecia o fim do mundo

por Luís Naves, em 25.06.16

Nas televisões nacionais, o resultado do referendo britânico parecia o fim do mundo. Os jornais e redes sociais transbordam de catastrofismo ou de indignação. Lemos comentários a celebrar o fim inevitável da UE, essa coisa horrível que acabou com as nossas vidas e encontramos toneladas de textos sobre uma Europa que nunca existiu nem vai existir. Em Portugal, à esquerda, cresce um discurso que retrata a UE como a tropa de choque do capitalismo e do poder financeiro, tendo promovido a destruição económica, o empobrecimento geral e a imposição de políticas que os povos rejeitam. Esta tese delirante sustenta que o voto britânico representou a recusa do neo-liberalismo ou das barreiras à imigração. Após o Brexit, a Europa será obrigada a reformar-se num sentido que a fará mais solidária, terminando todos os muros e a asfixia da austeridade. Há outra versão, que tem feito o seu caminho: a União Europeia é um pesadelo burocrático que não serve para nada. Quem não obedecer, leva. Os países deixaram de mandar na máquina. O criador perdeu o controlo do monstro e ele anda pelas aldeias a assustar criancinhas.

Estas duas versões ignoram os benefícios que o País obteve ao longo dos últimos 30 anos. Portugal nunca na sua História enriqueceu tão depressa, nunca se modernizou tão depressa. Recebemos uma montanha de dinheiro, transformámos a economia, a sociedade mudou em todos os sentidos, nunca fomos tão livres. Hoje, exportamos facilmente para um mercado de 500 milhões de consumidores, circulamos sem limitações por um espaço geográfico gigantesco, temos investimento externo como nunca antes vimos, para não falar na adopção de leis modernas e da necessidade fundamental da estabilidade política e da segurança. Sem Europa, o País seria muito mais pobre. O fim da UE representaria a destruição de centenas de milhares de empregos, a falência de milhares de empresas, o regresso ao caos político e ao endividamento crónico. E, apesar de tudo isto ser tão evidente, parece que uma parte do País deseja regressar aos tempos da Primeira República, outra parte aos tempos do orgulhosamente sós.

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publicado às 19:10



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