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Orçamento

por Luís Naves, em 06.02.16

Em comunicação política existe uma técnica, conhecida por spin, que consiste em dar a volta a más notícias. No fundo, trata-se de criar uma narrativa positiva em torno de factos impopulares, mas só funciona se for simples. No caso do orçamento, o spin governamental falhou clamorosamente, devido à confusão das suas três mensagens: que a austeridade acabou, a troika e os críticos internos impediram um resultado melhor e finalmente batemos o pé à Europa.

O orçamento passou em Bruxelas com cartão amarelo e avisos de futura vigilância, mas esse facto foi desvalorizado em notícias que viam cedências profundas das instituições comunitárias. Isso não impediu discursos contraditórios de dirigentes de segunda linha, que atribuíram à comissão a defesa da ideologia neo-liberal, entre outros horrores. As cedências europeias não se vislumbram, mas as histórias dominantes passaram a dizer que Bruxelas nos impôs rigor orçamental contra os nossos interesses, desmentindo dessa forma a anterior ideia forte, segundo a qual a austeridade ia acabar. Um governo criado para bater o pé à Europa e mostrar um caminho diferente está a fazer mais do mesmo e foi forçado a aumentar impostos para financiar algumas benesses à sua base de apoio.

Parte da frente de esquerda parece apostada em criar um conflito com as instituições europeias, outra parte não tem de todo essa intenção. Neste poder, convivem continuidade e ruptura, há flexibilidade e rigidez, mas acima de tudo contradições entre mensagens pró-europeias e a retórica ilusória e radical de não se dobrar a espinha nem um único milímetro.

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publicado às 12:31



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