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O verdadeiro impasse

por Luís Naves, em 19.08.16

Mariano Rajoy, líder do PP, aceitou negociar as condições de Albert Rivera, do Ciudadanos, e tentar a investidura, o que acontecerá no final da próxima semana. Os dois partidos, somados, estão a sete deputados da maioria. Rajoy terá duas oportunidades de formar um governo de minoria do PP: a primeira votação exige maioria absoluta, 176 votos; a segunda exige maioria simples, ou seja, as abstenções serão decisivas e basta que a soma de votos favoráveis seja superior à de votos negativos. Os cenários são complexos: o PP precisa de garantir a abstenção de alguém, e parece remota a possibilidade dos catalães da Convergência ou a abstenção do PSOE. Os socialistas prometem votar contra e arriscam-se a não conseguir formar governo alternativo, pois teriam de fazer um pacto com o Podemos, com exigências duras, o que não dispensava mesmo assim o apoio dos catalães, com mais cedências difíceis. Aliás, o PSOE teria poucas semanas para negociar e o resultado seria facilmente o fracasso. Sem governo possível, seguia-se a dissolução do parlamento e a terceira eleição consecutiva, com alta probabilidade de novo pântano político, acrescido do requinte da data limite das terceiras legislativas coincidir com o dia de Natal. A Espanha mergulhou assim numa esquizofrenia: o PP não tem aliados para uma maioria absoluta e os socialistas, tendo perdido as eleições, ponderam suicidar-se numa aliança improvável, que terá de incluir a esquerda radical e os independentistas.

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publicado às 19:16



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