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O medo dos bárbaros

por Luís Naves, em 30.04.15

Temos pena dos pobres, até enfrentarmos um verdadeiro pobre. A miséria não é para sentir ou cheirar, é para admirar à distância, como se observa a diversidade no jardim zoológico, lugar de exibição que apenas serve para confirmar a superioridade da nossa própria espécie. Não gostamos da realidade, apenas da irrealidade. Os bárbaros são os diferentes; nós somos os indiferentes. Amontoamos belas palavras sobre a dor das vítimas, a inépcia dos desadaptados, mas queremos os nossos direitos e ficamos espantados quando os miseráveis não se levantam da sua miséria. Assisti ontem a uma cena interessante, mas sem moral ou sentido do qual se possa tirar uma conclusão: um pedinte mal-cheiroso estendia a mão ao fundo das escadas da boca do metro, abrigado da chuva miudinha. A funcionária do metropolitano veio imediatamente e mandou-o sair dali. Que fosse estender a mão à chuva. Na véspera, aquela mesma funcionária estivera em greve, a defender os seus direitos.

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publicado às 11:43


1 comentário

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De Cuca, a Pirata a 05.05.2015 às 21:12

Percebo a ideia e concordo com ela. Mas afastar os pedintes, provavelmente, fará parte das funções dessa funcionária.

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