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O isolamento de Atenas

por Luís Naves, em 19.06.15

Ao contrário de outros resgatados, a Grécia nunca conseguiu aplicar as reformas exigidas pelos sucessivos programas de ajustamento. Ao todo, recebeu 240 mil milhões de euros em ajudas externas, mais 100 mil milhões de perdão de dívida, mas a economia ruiu na mesma, o sistema partidário desmoronou-se e os problemas crónicos não foram resolvidos. Entre os europeus, a Grécia tem a maior proporção da sua riqueza gasta em pensões, 17,5% do PIB, muito acima dos 13,8% da média na zona euro, mas isso não impede que o governo de esquerda se recuse a fazer concessões na matéria.

O executivo de Alexis Tsipras, apoiado pelos radicais do Syriza e por um partido da extrema-direita, fez promessas populistas que só poderia cumprir saindo da zona euro, algo que o povo grego recusa. Após meses de impasse, o superávite primário volatilizou-se e as receitas de impostos afundaram. Qualquer cedência será inviabilizada pela ala radical do partido no poder. Os europeus também não vão aceitar qualquer acordo, pois se o fizerem terão a Grécia a exigir o terceiro resgate com mínimo de reformas. O eleitorado dos países credores jamais aceitará pagar a conta, por isso a Grécia está sem liquidez, à beira do incumprimento e da introdução de controlo de capitais. Os bancos têm a corda na garganta, pois as pessoas tentam retirar os depósitos e preferem guardar os euros debaixo do colchão. Caso a situação se agrave nos próximos dias, pode ocorrer um pânico bancário.

Desde o dia em que foi eleito, Tsipras apostou no medo de um efeito dominó que arrastaria os países mais vulneráveis da periferia. Para obter dinheiro sem atender às exigências dos credores, Tsipras pensou que a perspectiva da bancarrota levaria na queda Portugal e Espanha, ou seja, apostou na desgraça dos parceiros, o que é inédito na UE. Esta estratégia tinha pés de barro. Agora, com o governo do Syriza isolado, percebe-se melhor que o resultado de vender ilusões aos eleitores leva ao abismo.

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publicado às 16:35



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