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O fim de uma época

por Luís Naves, em 04.05.15

O liberalismo económico que entrou na moda nos anos 80 está agora a conhecer os seus dias do fim. Nos 30 anos em que foi dominante, esta versão do capitalismo ajudou a vencer a Guerra Fria, mas sendo inerentemente instável, também originou a Grande Crise do final da primeira década do século XXI. Reduzir o Estado é hoje uma ideia contestada, sobretudo na Europa, onde as clivagens políticas tradicionais entre direita e esquerda se jogam crescentemente em torno de outros temas mais culturais, como família ou imigração. A obsessão por ‘menos Estado‘ tornou-se uma receita para perder eleições, o que dará origem a novos alinhamentos de alternativas políticas. Nacionalistas e socialistas vão ambos defender poderes centralizados e fortes, com sistemas de Estado providência bem financiados. A direita dará grande importância à segurança dos cidadãos, aos campeões nacionais e à soberania; a esquerda quererá maior distribuição de riqueza e o reforço de instituições reguladoras, mas ambos vão defender a disciplina dos mercados e intervenção dos governos na economia. Os conservadores vão acentuar a obsessão soberanista e tentarão defender a ordem e os valores tradicionais da sociedade. A esquerda, que acredita na engenharia social, terá facções mais radicais a defender rupturas que permitam reconstruir a sociedade. O próximo ciclo será populista e menos liberal, terá abundante retórica anti-capitalista e exigirá a defesa intransigente do ‘pequeno cidadão‘ perante as ‘grandes corporações’. Desmantelar o Estado? Essa é uma ideia que os eleitores vão rejeitar, sem pensarem duas vezes. Os mercados liberalizados, a agitação financeira e o comércio livre são ideias em recuo.

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publicado às 13:04



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