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Novo modelo

por Luís Naves, em 23.08.16

Este artigo de Martin Jacques interroga-se sobre as consequências da grande crise de 2008, a maior perturbação do capitalismo desde os anos 30 do século passado. O autor britânico escreve sobre o aparente paradoxo do falhanço clamoroso das ideias neo-liberais não ter ainda produzido uma vaga de ideias contrárias entre as elites intelectuais, que desvalorizam como ‘populismo‘ a vaga de contestação que já é tão evidente nas democracias avançadas.

A revolução neo-liberal dos anos 70 e 80 do século passado aumentou as desigualdades, permitiu uma onda migratória sem precedentes, reduziu a regulação dos mercados e a dimensão dos aparelhos governamentais. O capital foi beneficiado em relação ao trabalho e o rendimento dos mais pobres estagnou ao longo dos últimos 30 anos. Os ricos ficaram extraordinariamente ricos e, além disso, as taxas de crescimento económico não foram nada de especial. Este período prejudicou os trabalhadores menos qualificados, que foram vítimas da deslocalização dos seus empregos para zonas mais baratas ou que enfrentaram a concorrência dos imigrantes, também pouco qualificados, que aceitavam salários baixos, criando uma pressão que empobreceu o proletariado.

Esta interpretação ajuda a compreender fenómenos populistas como o Brexit ou Donald Trump: o candidato republicano é campeão da classe trabalhadora e contesta acordos comerciais que, até há muito pouco tempo, eram peças fundamentais das crenças políticas da direita. O artigo explica que os movimentos ditos ‘populistas’ estão a atacar o neo-liberalismo, mas também a esquerda europeia, que deixou de defender os trabalhadores: veja-se, por exemplo, a política de imigração, que os partidos de esquerda geralmente apoiaram, embora esta seja prejudicial para os seus eleitores tradicionais. A ideologia da esquerda permanece nos anos 70 e a linguagem é cada vez mais politicamente correcta, ou seja, repleta de exemplos de eufemismo, evitando as questões essenciais. A mensagem simples, anti-globalização, de movimentos populistas (Trump, Sanders, Brexit, Le Pen, Podemos, Montebourg, AfD, Orbán, Cinco Estrelas, Wilders, etc.) é acompanhada da exigência de controlo sobre as grandes empresas e banca, de limites à imigração e nacionalismo económico. Esta mensagem é eficaz e parece ser uma das tendências de futuro. Também chegará a Portugal a seu tempo, aliás, já se vê em alguns momentos: nos afectos do Presidente Marcelo ou na resistência europeia de António Costa e Catarina Martins.

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publicado às 09:37



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