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Liberdade

por Luís Naves, em 20.04.17

Na novela Um Cavalo em Fuga, do escritor alemão Martin Walser, encontrei esta extraordinária frase: “Que grotesca é a pequenez do presente, confrontada com o passado”. Walser é um escritor famoso na Alemanha e relativamente desconhecido em Portugal (escapa-nos tanta coisa). Deste autor, foi traduzido este Cavalo em Fuga, livro sobre o conformismo e a aceitação da banalidade, a tal “pequenez do presente” que vemos instalada na nova medianocracia ou tirania da classe média, caracterizada pela passividade e a condescendência. Walser baseia-se na ideia de que temos medo da contestação e da diferença, do desvio e da pequena liberdade quotidiana; temos inveja do espectáculo da felicidade nos outros e simulamos o nosso próprio contentamento, mas com raiva e ódio. Junto a anotação de outra leitura sobre a liberdade, Nós, de Ievgueni Zamiatine, escritor soviético que deixou de ser publicado na URSS em 1929, e que conseguiu emigrar para o Ocidente em 1932, com ajuda de Maxim Gorki. Este livro foi um êxito em Inglaterra em 1924 e tornou-se a semente literária de outras distopias famosas, como 1984, de George Orwell. Muito imaginativo, Nós era uma devastadora crítica à utopia comunista, nomeadamente à noção de fazer tábua-rasa da decadente cultura burguesa: na sociedade futura imaginada por Zamiatine, o maior monumento sobrevivente da antiga literatura era O Horário de Todos os Caminhos de Ferro.

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publicado às 12:28



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