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Incapacidade reformista

por Luís Naves, em 04.03.16

Em Portugal, país que vive em permanente estado de crise, a discussão dos problemas transforma-se frequentemente em agitação estéril de papões e fantasmas. Quando é preciso enfrentar um determinado tema, vemos que discussão se desvia para assuntos acessórios. A futebolização da nossa política é visível nos intermináveis debates em que os talibãs dos diversos lados escalpelizam a intensidade do empurrão, a acção da força da gravidade no penalti roubado, a bola na trave e a decisão do árbitro que deu colinho a uma equipa. Com a diferença de que, no futebol, campeonato perdido se pode redimir no ano seguinte, enquanto que no campeonato perdido da política, os efeitos negativos perduram anos. O contexto europeu está a ser ignorado nas interpretações patrióticas que exigem uma boa indignação colectiva capaz de nos colocar em rota de colisão com os credores. A demagogia anda à solta e nem o susto da recente tempestade financeira valeu como aviso para os líricos. Os problemas nacionais estão na falta de competitividade, nas empresas débeis, na baixa qualificação da mão-de-obra, num Estado que tem dificuldade em conter a despesa. Os problemas têm raízes complexas, mas estão sobretudo numa incapacidade reformista que nos condena ao crónico atraso.

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publicado às 15:24



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