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Errol Flynn igual a si próprio

por Luís Naves, em 14.12.14

Carga da Brigada Ligeira, de 1936, deve ser um dos piores filmes de sempre, cheio de erros históricos, a misturar Guerra da Crimeia com Motins Indianos e a enganar-se nas datas, nas bandeiras e nos uniformes. Uma xaropada do pior, com Errol Flynn e a belíssima Olivia de Havilland em amores improváveis. Também se perde por ali a jovem promessa David Niven, um de vários ingleses no elenco. Apesar de ser realizado pelo grande Michael Curtiz, judeu húngaro especializado em cenas de acção e produções rápidas, neste filme tudo é forçado e pouco credível, sugerindo que o sistema dos estúdios podia fabricar produtos indigentes. O tema é um dos mais famosos erros da história militar, aqui atribuído a uma inexplicável desobediência romântica. Um capacete soa a plástico, a fortaleza parece de esferovite, alguns dos civis indianos são claramente índios americanos da Califórnia, outros andam por ali pintados. Além do seu sentimentalismo inaturável, Carga da Brigada Ligeira pode ser visto como filme pacifista, bem da época, pois a catástrofe que determina a destruição da brigada de cavalaria no dispendioso ataque em Balaclava não passa de uma vingança tonta e banal, a desafiar a lógica e a disciplina, e que tem as suas origens numa atrocidade antiga, durante uma rebelião colonial na Índia (imaginação delirante, pois os motins na Índia começaram um ano depois do final da Guerra da Crimeia). O cinema clássico americano tem outras obras deste nível, que hoje nos fazem rir pela ingenuidade e pelo realismo desfasado. Errol Flynn era igual a si próprio, um actor que fazia sempre de Errol Flynn, mas que conseguia ser bem menos interessante do que qualquer John Wayne a fazer de John Wayne.

(Este post devia ser sobre Imperdoável, essa obra-prima, o último western, mas a brigada ligeira foi mais rápida e meteu-se à frente).

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publicado às 19:37


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