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E se as noivas saírem todas ao mesmo tempo?

por Luís Naves, em 04.08.16

Parece cada vez mais provável que a geringonça se rompa por um motivo exterior. O deslize orçamental ameaça as taxas de juro da dívida e pode resultar em exigências de Bruxelas de cortes na despesa, que seriam intoleráveis para os partidos da esquerda. O Governo continua a dizer que não cumprirá a recomendação da comissão feita na semana anterior, de aplicar medidas adicionais, fingindo ignorar que existe uma ameaça de suspensão dos fundos comunitários em 2017. Provavelmente, os socialistas não contam estar no Governo nessa altura. Para os comentadores políticos, o acordo entre os quatro partidos está sólido e quem romper perde imensos votos. A explicação, segundo estas versões: as sondagens indicam que o povo quer estabilidade e a penalização será dura para quem protagonizar a ruptura. Talvez tenham razão, mas as sondagens indicam a tendência de voto neste momento e só haverá eleições se o Governo cair ou no fim da legislatura, este último um cenário improvável. As sondagens serão muito diferentes após a queda, portanto, estamos a elaborar cenários sobre situações que ainda não existem. Convinha olhar para as sondagens de outra forma: nenhum dos partidos tem um motivo forte para derrubar o Governo. A situação muda quando chegar a factura dos erros anteriores, por exemplo um pacote de cortes na despesa imposto de fora. Para a esquerda do PS, será então difícil manter o acordo que suporta o Governo. Se todas as noivas saírem ao mesmo tempo, a compreensão dos convidados irá apenas para elas; quem fica ridículo é o noivo deixado no altar.

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publicado às 09:45



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