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E se acontecer o pior?

por Luís Naves, em 06.04.17

Faltam três semanas para a primeira volta das presidenciais francesas e, tendo em conta a elevada proporção de indecisos, as sondagens devem ser lidas com um grão de sal (no mínimo), mas o facto é que dizem todas mais ou menos o mesmo: o jogo não está decidido e há uma mudança na recta final. Os debates na televisão podem ter sido importantes, pelo menos no caso de Jean-Luc Mélenchon, candidato radical de esquerda, e de François Fillon, de centro-direita, que parecem ter beneficiado nos confrontos. Ambos estão a subir nas sondagens, embora ainda na zona de exclusão da segunda volta. Tudo indica que exista uma relação directa entre o voto em Mélenchon e o voto no candidato socialista, Benoit Hamon. Quando um sobe, o outro desce na proporção equivalente. Se olharmos para os inquéritos, verificamos facilmente que a soma dos dois é consistente, em torno dos 25 ou 26% das intenções de voto. Sendo assim, um socialista que considere o seu candidato derrotado, tenderá a votar útil, ou seja, no candidato mais semelhante ao seu. Mélenchon tem, assim, boas hipóteses de atingir 22-23%.

O mesmo raciocínio pode ser usado para François Fillon e Emmanuel Macron. O republicano e o centrista disputam a votação moderada, sobretudo na direita, já que Macron parece ter a preferência dos partidos centristas (que são pequenos) e dos socialistas moderados. Durante semanas, Macron atraiu o voto de republicanos desiludidos (por causa do escândalo dos empregos fictícios), mas o facto é que este eleitorado não ficou convencido e não haverá voto útil. A soma dos dois candidatos é consistente, em torno de 42-43%, sendo admissível que a coisa se divida irmãmente, o que daria a cada um algo como 21%, ou um pouco mais. O terceiro bloco de votos escolhe Marine Le Pen e desceu ligeiramente por causa dos debates, mas este eleitorado está mais do que convencido. A candidata terá, na pior das hipóteses, 22 ou 23%. Tendo em conta as margens de erro, a admitir a transferência de votos no eleitorado de esquerda e a recuperação por Fillon dos republicanos que Macron não convenceu, é fácil admitir que qualquer um destes quatro candidatos pode seguir para a segunda volta, incluindo-se aqui o cenário catástrofe de um eventual duelo entre Mélenchon e Le Pen, que daria à França a certeza absoluta de eleger um péssimo presidente.

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publicado às 16:17



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