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Doze cavalos

por Luís Naves, em 06.06.17

A Economist é uma revista extraordinária, cuja leitura só dispenso quando estou falido. Encontram-se ali muitas pequenas jóias, como esta história tirada da recensão de um livro sobre cavalos: após seis mil anos de ligação à humanidade, desfeitos em pouco mais de um século, estes animais são agora desnecessários, como eram os doze cavalos da cavalaria britânica que tinham participado na batalha de Waterloo e que um cirurgião da época salvou por razões sentimentais. Os animais andavam em liberdade e segurança, à solta num grande prado da propriedade, onde pastavam tranquilamente; e certo dia, o médico reparou que, sem aviso ou padrão, se juntavam os doze numa linha rigorosamente direita e, sem que houvesse ordem ou ruído indicativo, avançavam de repente a galope, todos juntos, sem nenhum desfazer a formação até um ponto qualquer que só eles sabiam. Depois, recuavam, mantendo sempre a linha direita. E, regressados da carga imaginária, voltavam à sua pastagem, à tranquila reforma que lhes tinham arranjado os humanos, talvez ruminando reminiscências confusas de velhos soldados sobre um grande acontecimento que não podiam compreender e que, mais do que assustador, era para eles bastante memorável.

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publicado às 00:46



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