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Difícil explicar esta realidade

por Luís Naves, em 15.05.15

As forças de esquerda dizem há quatro anos que Portugal deve romper com a austeridade imposta pela Alemanha. Segundo esta interpretação, nunca houve pré-falência, mas apenas erros posteriores. A sociedade portuguesa está exangue, a Europa próxima do colapso e, para se resolver a crise, a única saída é mais despesa. Entretanto, a Europa teima em não cair. Contra todas as previsões, Portugal concluiu o programa de ajustamento e não necessitou de segundo resgate. A sociedade portuguesa mostrou mesmo sinais de grande solidez.

Neste contexto, a esquerda enfrenta grande dificuldade em explicar os primeiros sinais de crescimento económico e de criação de emprego. Enquanto a Grécia entrou numa lenta agonia que a levará ao incumprimento e provavelmente para fora da zona euro, Portugal financia-se nos mercados. Os eleitores gregos foram enganados, mas entre nós impôs-se a interpretação conveniente da legitimidade democrática, segundo a qual este governo de Atenas foi eleito e todos os outros governos europeus deviam submeter-se à sua vontade, como se eles próprios não fossem eleitos. Este é talvez o argumento mais estranho e mais repetido por quem insiste numa narrativa crescentemente incapaz de explicar a realidade.

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publicado às 18:43



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