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Difícil de explicar

por Luís Naves, em 13.08.17

Muitas pessoas que falam de cor sobre a Europa Central não compreendem elementos fundamentais destas sociedades. Em primeiro lugar, que a geração mais influente (entre 50 e 60 anos) atravessou toda a transição e interpreta os últimos 25 anos como um período em que as ambições da mudança foram parcialmente traídas; o Ocidente é em grande parte o culpado da sua desilusão e descontentamento. A transição beneficiou gente com boas ligações ao antigo regime e prejudicou muitos dos intelectuais que tinham sonhado com a liberdade e lutado por ela. O que os nossos observadores de bancada também não compreendem é que existe hoje nestes países um evidente conflito de gerações entre os mais velhos, que têm uma memória terrível dos anos do comunismo, e os mais novos, que querem seguir em frente. Esta memória de um regime totalitário não se apaga por magia. A Hungria, em particular, viveu os últimos 250 anos a lutar pela sua identidade, no âmbito de conflitos por vezes existenciais. A sua política segue hoje esta matriz, vive entre compromisso e resistência. O compromisso com a Europa envolve riscos de perda de identidade e a resistência pode levar à criação de uma bolha nacionalista. Não deve ser fácil explicar isto a um luxemburguês ou a um belga.

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publicado às 23:26



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