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Descontentamento IV

por Luís Naves, em 30.12.14

Em momentos de crise, as sociedades atacam as tradições e rejeitam o passado. É uma reacção tão antiga como o mundo e visa construir o que se designa por nova realidade. A ignorância e a incompetência dos poderes emergentes são disfarçadas pelo discurso agressivo em relação a tudo o que existia, que passa a ser o ‘velho pensamento’. Num país com elites fracas, como é o caso de Portugal, este processo de mudança tende a transformar-se na substituição pura e simples de corporações e grupos de interesses, mas sem verdadeira mudança institucional. As instituições são demasiado vulneráveis para resistirem ao assalto de pequenos grupos coesos, com ligações ou dependências partidárias que os eleitores já não controlam. Quando se apropriam destas instituições, as novas elites procedem à eliminação do ‘antigo’. Quanto mais ignorantes forem, mais vícios prolongam. Esta uma explicação possível para alguns sinais que vemos, sobretudo a incultura da classe política, a debilidade das organizações, o declínio do jornalismo, o caos na educação, o acordo ortográfico, a falta de exigência, a imbecilização das discussões públicas e o triunfo das ideias curtas.

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publicado às 11:40


3 comentários

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De Algarvio (conservador?) a 30.12.2014 às 11:56

Não sei se tem alguma a coisa a ver com o teor do artigo -
Lindíssimas antigas casas de lavoura, (às dezenas, só no(s) meu(s) concelho (s) -Olhão/Tavira) enxameiam as estradas - fora as que das estradas não vejo - e entretanto pilim para vivendas tipo bolo de noiva parece não faltar. Nada contra arquitectura moderna , (antes pelo contrário) mas, NINGUÉM gosta de arquitectura tradicional é isso? Nem a preservação do património cultural popular? Na província turística de serviço? Nada?
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De Um Jeito Manso a 30.12.2014 às 23:04

Não concordo consigo quando se refere a este período Passos Coelho que eu acho sinistro, nem concordo consigo na análise que faz à raiz da crise em que o País se vê mergulhado. Mas concordo nas análises mais gerais e profundas que faz e aprecio a forma estruturada como as expõe. A sua escrita tem qualidade e só espero que esse seu dom seja valorizado de forma a que se sinta motivado e que sinta nos outros o reconhecimento que lhe é devido.

Desejo, pois, que 2015 seja um ano importante na sua vida, um ano bom, de realização pessoal e profissional.
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De Luís Naves a 31.12.2014 às 13:20

Agradeço muito estas simpáticas palavras. Espero que tenha um excelente 2015.

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