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Consistência

por Luís Naves, em 20.06.15

O romance funciona um pouco como a maionese, o erro mais comum é deixar deslassar. No fundo, parte-se de uma ideia e estamos perante um processo de acumulação de elementos onde o truque está em não perder a consistência. Deve ser escolhida a temperatura ambiente, a mais próxima possível das condições da realidade, deixando cair devagarinho um fio de azeite, enquanto se procede a um movimento uniforme que visa misturar todos os elementos mantendo a aglutinação do conjunto. Sendo assim, não se pode fugir muito do essencial da ideia ou das personagens sobre a mesa, é também fundamental muita paciência e alguma imaginação. No final, adiciona-se sal a gosto, mas pensando que haverá quem não suporte excessos ou ausências. Alguns apreciam a abundância do picante, mas há também quem deteste, por isso a criatividade e a autoria não são um fim em si. Existe igualmente uma analogia possível com a doçaria e o açúcar: a dose certa é questão de gosto e cultura, sendo difícil agradar a todos. Neste ponto, atrevo-me a uma opinião: evite-se o excesso meloso e a fofa inconsistência, mesmo que seja essa a tradição da doçaria nacional.

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publicado às 19:55



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