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Coisas doces com açúcar

por João Villalobos, em 21.04.14

Em resposta a esta pergunta do Miguel Noronha, estou disposto a apostar uma dourada ao sal em como - na disputa intergovernamental a que assistimos sobre este apimentado assunto - vencerá o bom senso de Pires de Lima. Até porque o ministro da Economia está acompanhado por vários outros, na resistência a mais esta jihad lançada, em particular, pela dupla que reúne o secretário de Estado Leal da Costa e o director-geral de Saúde, Francisco George, com o alto patrocínio da senhora ministra das Finanças. 

Tive oportunidade, aquando da minha passagem por este Governo como adjunto do ex-SEC, de observar um exemplo deste mesmo paternalismo radical aquando da discussão sobre a revisão da Lei do Tabaco. Em causa? 1.430,5 Mil Milhões de Euros de Imposto sobre o Tabaco, meus senhores e minhas senhoras. A quantia que o relatório do Orçamento de Estado antecipava para 2014, prevendo uma subida da receita. Isto no mesmo ano em que o Ministério da Saúde lançou a ideia da interdição do consumo de cigarros em todos os locais públicos.

Dir-se-á que o Governo apenas zela pela saúde dos cidadãos e ao mesmo tempo pelo estado do SNS, ao limitar-nos o acesso ao sal, ao açúcar, ao tabaco. Não. O que o Governo conseguirá se avançar com uma taxa destas é - aumentando os preços - colocar só ao alcance de quem tem dinheiro os produtos mais salgados e docinhos. Brioches para os primeiros, para os pobrezinhos pãezinhos sem sal. Nas palavras de Otto von Bismarck: "As Leis são como as salsichas. É melhor não vermos como foram feitas". E, muitas vezes, são mais perigosas para a saúde as salsichas que os legisladores nos servem do que tudo aquilo que possamos comer.  

 

 

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publicado às 09:42



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