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Cinismo dos eleitores

por Luís Naves, em 11.06.17

Eleições em França, primeira volta das legislativas. A maioria presidencial arrasou os partidos tradicionais, Emmanuel Macron está a ser muito elogiado por isso, mas a excitação parece imprudente: a abstenção foi superior a 50%, coisa nunca vista, e percebe-se que a maioria presidencial na primeira volta foi inferior à de François Hollande em 2012: 32%, em vez de 40% para um presidente que foi incapaz de fazer reformas. Há aqui sinais de cinismo dos eleitores, que deviam fazer pensar os analistas. Se o novo presidente rebentou com os partidos, é natural que muitos franceses sintam por enquanto que não vale a pena votar, pois é certa a vitória dos candidatos relativamente desconhecidos apresentados pela maioria (votar contra eles não é opção, pois garante o caos). Bem mais grave é a possibilidade concreta de não haver oposição em França: Macron está a engolir tudo à volta, formando um albergue espanhol para oportunistas, em vez de um projecto político coerente. Com a assembleia domesticada, os eleitores terão de ventilar a sua frustração por outros meios democráticos.

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publicado às 17:20



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