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Choque e pavor

por Luís Naves, em 13.07.15

Segundo a maioria dos comentadores, havia bravos gregos contra tenebrosos imperialistas. Poucos parecem saber como funcionam estas negociações multilaterais e proliferaram interpretações nacionalistas, ideias anti-alemãs, comparações absurdas, como se a Grécia fosse forçada a tomar cicuta. A opinião pública teve certamente dificuldade em perceber o que ia acontecendo e está explicada em grande parte a crise na nossa Imprensa. Os que não têm acesso a fontes em outras línguas ficaram com uma ideia distorcida dos factos, mas houve outros aspectos significativos, como o anti-europeísmo feroz e o desaparecimento total dos partidos que até agora descreviam Alexis Tsipras como semi-Deus.

O acordo desta madrugada terá difícil aplicação, pode provocar uma crise política, mas por enquanto salva a Grécia da queda imediata no abismo. Como diziam os responsáveis europeus, numa interpretação pouco seguida entre nós, o problema dos gregos está no modelo de sociedade e numa economia dependente de um sistema político disfuncional. No fundo, em troca do terceiro resgate, esgotada a confiança dos credores, Atenas teve de aceitar uma profunda transformação nos seus hábitos económicos e da própria forma de funcionamento do Estado. Em troca de ajuda financeira em larga escala, haverá maior vigilância dos credores mas, na prática, mantém-se a desconfiança. Só isto explica as exigências de fazer tudo muito depressa, na realidade em escassos dias: vem nos livros, as mudanças sistémicas fazem-se em processo de choque e pavor.

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publicado às 11:54



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