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Cheiro a esturro

por Luís Naves, em 03.06.15

A história devia ser simples: anunciava-se um prémio para o melhor restaurante do mundo (reservas só daqui a um ano, preços absurdos), vi notícias banais sobre esse fait divers e só depois percebi que as coisas eram mais complicadas. Afinal, os critérios do ranking são contestados por profissionais do ramo e sobretudo pouco transparentes, pois ganham sempre os mesmos restaurantes e parece haver interesses poderosos em jogo, a glória das nações, essas coisas. A manipulação em larga escala invadiu áreas que pareciam pacíficas. A gastronomia (tal como o futebol, onde rebentou um escândalo de corrupção) pode ser um palco ideal da política. Já parecia ser mercado da vaidade, onde se vendia comida péssima a preços pornográficos (só os saloios dizem mal dos restaurantes da moda), mas agora percebemos que é igualmente uma indústria onde nos impingem ideias pouco inocentes sobre comida. No futuro, prometo desconfiar destas listas de restaurantes onde se premeiam menus pseudo-científicos sem ligação à biologia, onde se privilegia a obsessão com os sabores sem preocupação com a tradição, ou ainda mais importante, onde se ignora a simples ideia do equilíbrio nutritivo dos alimentos. Gosto de ver programas de televisão sobre culinária e os melhores são aqueles que optam pela simplicidade, mas percebo que isto seja cada vez mais um negócio complexo onde se explora a patetice dos ricos e a sua ânsia de experiências interditas aos pobres.

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publicado às 19:33



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