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Bifurcação

por Luís Naves, em 30.03.15

Após uma longa caminhada, chegou a uma bifurcação, a um local estranho onde havia diferentes opções de caminho. Do seu lado esquerdo, desenvolvia-se uma rua triste. À direita, existia uma outra rua, mas esta apenas melancólica. Em frente, erguia-se um muro soturno, repleto de mensagens intransponíveis. Desistiu do muro ou de voltar atrás. Se optasse por seguir pela direita, iria desencadear uma infinita sequência de eventos, cujas consequências desconhecia. Se escolhesse a rua da esquerda, o resultado seria o início de uma infinita sucessão de acontecimentos também aleatórios, mas numa combinação totalmente diferente da primeira sequência, igualmente incerta, abarcando porventura outros destinos para além do seu. Uma anterior série infinita de eventos resultara na circunstância de se encontrar naquele local e de ter no seu bolso uma pequena moeda ainda brilhante, produzida meses antes e que entretanto circulara quase ao acaso nos bolsos de milhares de pessoas, até chegar ao seu, percorrendo pois um caminho que não tinha qualquer consciência de existir. Retirou a moeda do bolso. Brincou com ela entre os dedos. Cara ou coroa? Se saísse a face da cara iria pela rua da esquerda, desencadeando assim uma sequência infinita de eventos. Se, pelo contrário, escolhesse a face da coroa, iria para a rua da esquerda. Escolheu a face da coroa, lançou a moeda pelo ar e esta deu várias voltas sobre um eixo, criando por um breve instante a ilusão de ser perfeitamente esférica. Depois, cumprindo parte do sentido da sua curta existência, caiu na mão aberta. O acaso escolhera um caminho e, sujeito ao capricho, assim avançou, sem mais hesitações, por uma cadeia infinita de eventos.

 

baseado num post antigo

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publicado às 12:45



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