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Algumas reflexões

por Luís Naves, em 06.01.17

Não há escritas inocentes. É um fracasso não conseguir abordar temas tabu. Nenhum escritor está fora do seu tempo, excepto quando imita outro. É uma ilusão julgar que o passado tem mais acontecimentos do que o presente.

Estas são algumas ideias de George Orwell, que fui reunindo, de forma avulsa e sem aspas, da leitura dos seus ensaios. Usei palavras minhas, mas as ideias são dele. Dito de outra forma: toda a escrita é política; o verdadeiro fracasso do escritor é não ter a coragem para falar do que lhe parece ser essencial; nenhuma prosa sincera está fora do seu tempo; conhecemos melhor o presente e devemos escrever sobre aquilo que conhecemos.

Adiciono a estas reflexões uma curta definição de Giacomo Casanova, esse grande escritor europeu, a justificar a escrita das suas memórias: “Digna ou indigna, a minha vida é a minha matéria; a minha matéria é a minha vida”. E, já agora, a primeira anotação de Albert Camus para O Estrangeiro, incluída nos Cadernos. O mecanismo inicial do romance, a faísca, não é mais do que esta frase curta: “Até que ponto foi estranho à sua vida”.

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publicado às 15:47



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