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A surdez

por Luís Naves, em 15.09.16

Na campanha presidencial americana só se discute a expressão de Hillary Clinton ‘basket of deplorables’, o cesto dos deploráveis, que serviu para a candidata democrata arrumar metade dos eleitores de Donald Trump, como gente de duvidoso patriotismo e numerosos preconceitos, da xenofobia ao sexismo. A candidata democrata era acusada de elitismo, agora provou essa inclinação. O alheamento dos políticos não é um problema americano. Um pouco por todo o mundo ocidental, as elites tendem a desprezar o voto dos eleitores comuns, julgando que estes não escolhem correctamente ou não percebem a bondade das suas decisões. Na Europa, os federalistas contestam a legitimidade de posições nacionais contrárias ao grande plano e defendem expulsões de países, como se um suposto interesse europeu teórico fosse mais elevado do que a vontade soberana dos povos que formam esta união. Não aprenderam nada com o Brexit. Há um conluio entre as elites que povoam os meios de comunicação, os académicos que habitam nas torres de marfim, os políticos e gestores que se habituaram à bolha de isolamento. A conversa é toda entre eles e torna-se progressivamente mais incompreensível para os que estão fora dos arranjos do poder. Os eleitores andam perdidos neste labirinto, vulneráveis ao fascínio dos demagogos, sabendo perfeitamente que as suas elites andam surdas aos protestos e não entendem as raízes da insegurança contemporânea.    

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publicado às 10:26



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